O escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien negou ter usado inteligência artificial para escrever o romance C’était ça ou mourir, alvo de acusações na França após vencer o Prêmio do Romance Fnac, em 21 de setembro de 2026.
Publicado no Canadá em março e lançado na França pela editora Grasset em 19 de agosto, o livro vendeu cerca de 35 mil exemplares e aparece nas seleções de prêmios como Goncourt, Renaudot e Femina. A obra também teve direitos vendidos para mais de 20 países.
A suspeita foi divulgada por uma conta anônima na rede X, chamada Balance ton Claude. Segundo a publicação, análises feitas pelo detector Pangram indicaram que mais de 95% de trechos submetidos do romance teriam sido gerados por IA.
O jornal Le Monde também testou parte do livro e relatou resultado semelhante, mas ressaltou as limitações de ferramentas desse tipo, especialmente em textos literários escritos em francês e influenciados por diferentes tradições linguísticas. Textos anteriores de Orélien, produzidos antes da popularização da IA generativa, teriam sido classificados como humanos pelo mesmo sistema.
Em entrevista ao jornal Libération, o autor afirmou que as repetições, imagens e ritmos do romance fazem parte de sua voz literária e de suas tradições haitianas e caribenhas. Orélien também declarou estar sofrendo ataques racistas e disse que reunirá, com seus editores no Canadá e na França, documentos para contestar as acusações.
A Grasset condenou manifestações que considera maliciosas, enquanto a editora Boréal afirmou manter a confiança no trabalho do escritor. Até o momento, não há prova conclusiva de que o romance tenha sido escrito com auxílio de inteligência artificial.
Fonte: g1