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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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Planos de presidenciáveis convergem na expansão de data centers no Brasil

Presidenciáveis defendem ampliar data centers, mas divergem sobre incentivos, soberania tecnológica e impactos no consumo de energia e água.

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Os principais candidatos à Presidência defendem ampliar ou atrair data centers no Brasil, mas apresentam diferenças sobre o papel do Estado, os incentivos fiscais, a transferência de tecnologia e as exigências ambientais. A discussão ganhou força após o anúncio, em 20 de agosto, de um supercomputador de inteligência artificial em Macaíba (RN), com investimento estimado em R$ 1,06 bilhão.

Os projetos fazem parte da disputa por capacidade computacional, necessária para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associa a expansão à soberania digital e propõe infraestrutura nacional, serviços de nuvem e supercomputadores operados ou desenvolvidos por instituições brasileiras.

O plano de Lula também prevê eficiência energética, uso progressivo de fontes renováveis, avaliação dos impactos sobre os sistemas elétrico e hídrico e contrapartidas de conteúdo local. Ronaldo Caiado (PSD) defende incentivos tributários condicionados a exigências ambientais, tecnológicas e sociais, além de investimentos em rede elétrica, qualificação profissional e reserva de capacidade para universidades e empresas brasileiras.

Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) priorizam a atração de investimentos privados. Os dois defendem energia barata e confiável e um ambiente regulatório capaz de estimular a instalação de estruturas voltadas a serviços digitais e inteligência artificial.

Renan Santos (Missão) propõe incentivos para transformar o Brasil, especialmente o Nordeste, em exportador de capacidade computacional, com zonas econômicas especiais para inteligência artificial. Augusto Cury (Avante) menciona a IA como infraestrutura estratégica de Estado e defende investimentos em robótica, computação em nuvem e automação, mas não apresenta uma proposta específica para data centers.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam que a construção dessas estruturas não garante, por si só, soberania tecnológica. Para eles, os projetos precisam estar associados a universidades, centros de pesquisa, startups, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologia nacional.

Também há dúvidas sobre os custos de energia, água e infraestrutura. Data centers funcionam continuamente e podem exigir sistemas de refrigeração com elevado consumo de recursos, além de ampliações na rede elétrica e regras para reduzir impactos sobre comunidades próximas.

O debate avançou com a sanção da Lei nº 15.504, de 15 de setembro de 2026, que criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata. A norma suspende tributos sobre importação, PIS/Cofins e IPI para empresas do setor, com contrapartidas como uso de energia renovável ou de baixa emissão e a destinação de pelo menos 10% da capacidade instalada ao mercado brasileiro.

Segundo estimativa do governo, o programa representa uma renúncia fiscal de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026. A medida é defendida como forma de atrair investimentos, mas entidades da sociedade civil questionam se as contrapartidas serão suficientes para garantir benefícios tecnológicos, ambientais e sociais ao país.

Fonte: g1

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