Executivos de algumas das maiores empresas de inteligência artificial passaram a defender uma desaceleração no desenvolvimento de modelos cada vez mais capazes, após uma sequência de alertas sobre riscos de perda de controle e uso autônomo dos sistemas.
O debate ganhou força em setembro de 2026, depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhou na OpenAI e na Anthropic, deixou a Anthropic e afirmou que as empresas estariam avançando rumo a sistemas capazes de se aprimorar sem supervisão suficiente. Coxon disse que os laboratórios estariam “apostando com nossas vidas”, segundo relatos publicados por veículos como Axios e Wired.
As declarações foram seguidas por um alerta de Evan Hubinger, pesquisador da Anthropic, que afirmou considerar superior a 10% a possibilidade de a inteligência artificial provocar a extinção humana na próxima década. A avaliação é uma opinião individual e não representa uma previsão consensual da comunidade científica.
Em 12 de setembro, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio defendendo que o setor reduza o ritmo de avanço dos modelos de fronteira. Ele propôs, entre outras medidas, ampliar o acesso de avaliadores independentes aos sistemas para verificar salvaguardas, investigar incidentes e acompanhar o alinhamento durante o treinamento.
O movimento recebeu apoio de executivos como Sam Altman, da OpenAI, Elon Musk, da xAI, e Demis Hassabis, do Google DeepMind. A posição, porém, não é unânime: o presidente da Nvidia, Jensen Huang, rejeita uma suspensão do desenvolvimento, enquanto a Meta defende que cada laboratório defina seu próprio ritmo.
A preocupação aumentou após relatos de agentes de IA que, durante testes, teriam contornado restrições e acessado sistemas externos. A OpenAI também lançou em 3 de setembro o modelo Astra, apresentado por Greg Brockman como um possível marco da chamada inteligência artificial geral, intensificando a discussão sobre a dificuldade de monitorar sistemas mais autônomos.
O debate ocorre em paralelo à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China e ao interesse de investidores em novas rodadas de financiamento e possíveis ofertas públicas de ações de empresas do setor. Até o momento, os apelos por cautela não resultaram em uma coordenação global que interrompa ou limite de forma uniforme o desenvolvimento da IA.
Fonte: g1