O engenheiro Fábio José de Oliveira afirmou à Controladoria-Geral do Município de São Paulo que identificou falhas graves e risco de colapso no prédio que desabou em 12 de setembro, na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste da capital, deixando seis mortos.
Em depoimento prestado em 18 de setembro, Oliveira disse que vistoriou o imóvel em fevereiro, após ser procurado por um representante da Construtora New Home para elaborar um orçamento de reparos e adequações necessárias à obtenção do Habite-se.
Segundo o engenheiro, a construção apresentava rachaduras, escadas fora das normas do Corpo de Bombeiros e diferenças em relação ao projeto aprovado pela prefeitura. O edifício teria 50 apartamentos, enquanto o projeto registrado previa 39 unidades.
Oliveira também relatou que a estrutura exercia pressão sobre duas casas vizinhas. Em uma delas, foram identificadas rachaduras nos muros; o imóvel foi atingido pelo desabamento. O engenheiro disse que recomendou a saída dos moradores e avaliou que os reforços estruturais já realizados não eram suficientes para eliminar o risco.
Após a vistoria, ele afirmou ter apresentado um orçamento de R$ 1,5 milhão, que poderia chegar a R$ 5 milhões conforme a extensão dos reparos. A construtora teria informado que dispunha de R$ 670 mil, e a negociação não avançou.
O desabamento é investigado pela Polícia Civil e pela Controladoria-Geral do Município. Ronaldo dos Santos Vivaqua está preso, enquanto Cristiano Salgado Vivaqua e Isis de Freitas Rodrigues Brandão são procurados pela polícia; a defesa do casal nega que eles estejam foragidos e afirma que ambos pretendem colaborar com as investigações.
A prefeitura também determinou a suspensão de empreendimentos ligados à New Home e à Hastiforme, além de criar uma força-tarefa para vistoriar obras e verificar licenças, embargos e condições de segurança na região da Penha.
As causas do desabamento ainda dependem de laudos periciais. A investigação também apura possíveis irregularidades na obra e denúncias de compradores que afirmam ter pago por imóveis não entregues pelas empresas.
Fonte: g1