Os principais candidatos à Presidência defendem ampliar a instalação de data centers no Brasil como parte da estratégia para desenvolver inteligência artificial, mas apresentam diferenças sobre o papel do Estado, os incentivos fiscais, a participação de empresas estrangeiras e as exigências ambientais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, anunciou em 20 de agosto a implantação de um supercomputador voltado à inteligência artificial em Macaíba (RN). O projeto terá valor previsto de R$ 959 milhões e integra uma expansão da infraestrutura nacional de computação de alto desempenho. ([gov.br](https://www.gov.br/lncc/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias-1/lncc-conduz-implantacao-de-supercomputador-de-inteligencia-artificial-que-ampliara-a-capacidade-computacional-do-brasil?utm_source=openai))
Os planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) também mencionam incentivos à instalação ou ampliação dessas estruturas. As propostas variam entre a atração de investimentos privados, a criação de zonas especiais e a exigência de contrapartidas em energia, qualificação profissional, conteúdo local e desenvolvimento tecnológico.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a construção de data centers não garante, por si só, soberania digital. Para que haja ganhos tecnológicos permanentes, seriam necessárias medidas como parcerias com universidades, formação de pesquisadores, apoio a empresas nacionais e maior capacidade de escolha sobre fornecedores de nuvem, equipamentos e sistemas.
Os empreendimentos também podem elevar a demanda por energia, água e infraestrutura de transmissão, além de gerar impactos sobre comunidades próximas. Por isso, representantes do Idec e do Laboratório de Políticas Públicas e Internet defendem regras mais claras sobre localização, licenciamento ambiental, eficiência hídrica e responsabilidade pelo custo das obras necessárias ao atendimento dos projetos.
A política de incentivos já avançou no Congresso. A Lei nº 15.504, sancionada em setembro, criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), com suspensão de tributos e contrapartidas relacionadas a fontes de energia, eficiência e uso da capacidade instalada. Segundo o governo, a renúncia fiscal estimada é de R$ 5,2 bilhões em 2026. ([www25.senado.leg.br](https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/172786?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block&utm_source=openai))
O governo também tenta ampliar a cooperação internacional em inteligência artificial sem aderir automaticamente a um dos polos da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Em julho, o Brasil participou da criação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), voltada à cooperação técnica, à formação profissional e ao desenvolvimento de modelos e padrões de governança. ([gov.br](https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/agenda-digital-inteligencia-artificial-fundacao-da-waico-nota-conjunta-mre-mcti-mgi?utm_source=openai))
Fonte: BBC News Brasil