Projetos de ampliação da capacidade computacional do Brasil para inteligência artificial aparecem nas propostas de governo dos principais candidatos à Presidência, com diferenças sobre o papel do Estado, a atração de empresas estrangeiras, a transferência de tecnologia e as exigências ambientais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em 20 de agosto, em Macaíba (RN), a instalação de um supercomputador de inteligência artificial estimado em R$ 1,06 bilhão. O equipamento será implantado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica, e o governo também apresentou iniciativas de infraestrutura de IA no Rio de Janeiro. ([gov.br](https://www.gov.br/lncc/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias-1/lncc-conduz-implantacao-de-supercomputador-de-inteligencia-artificial-que-ampliara-a-capacidade-computacional-do-brasil?utm_source=openai))
Nos planos de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, a expansão do setor aparece associada a incentivos tributários, energia confiável e competitiva e atração de investimentos. Augusto Cury defende investimentos em inteligência artificial, robótica, computação em nuvem e manufatura avançada, mas não apresenta uma proposta específica para data centers. ([opovo.com.br](https://www.opovo.com.br/agencia/bbc/2026/09/23/por-que-os-candidatos-a-presidente-querem-construir-mais-data-centers-no-brasil.html?utm_source=openai))
Lula relaciona os data centers à soberania digital e propõe infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem e supercomputadores desenvolvidos ou operados por instituições brasileiras. O programa também prevê eficiência energética, uso progressivo de fontes renováveis, avaliação dos impactos sobre os sistemas elétrico e hídrico e contrapartidas de conteúdo local.
Caiado condiciona os incentivos a exigências ambientais, tecnológicas e sociais, enquanto Flávio Bolsonaro e Zema priorizam a atração de investimentos privados com energia barata e ambiente regulatório favorável. Renan Santos propõe transformar o Brasil, especialmente o Nordeste, em exportador de capacidade computacional por meio de zonas econômicas especiais voltadas à inteligência artificial. ([opovo.com.br](https://www.opovo.com.br/agencia/bbc/2026/09/23/por-que-os-candidatos-a-presidente-querem-construir-mais-data-centers-no-brasil.html?utm_source=openai))
Especialistas ouvidos na reportagem afirmam que a construção de data centers não garante, por si só, soberania tecnológica. A avaliação é que os projetos precisam prever parcerias com universidades, formação de profissionais, desenvolvimento de empresas nacionais e capacidade de escolha entre diferentes fornecedores de tecnologia.
Também há preocupação com os custos dos empreendimentos. Data centers operam continuamente, demandam grandes volumes de energia e podem utilizar água para refrigeração, além de exigir investimentos em redes elétricas e provocar impactos sobre comunidades vizinhas.
O debate ganhou força com a sanção da Lei 15.504, que criou o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata. A medida prevê suspensão de tributos para empresas do setor e contrapartidas relacionadas ao uso de energia renovável ou de baixa emissão, à eficiência hídrica e à oferta de capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados. O governo estima renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026. ([legis.senado.leg.br](https://legis.senado.leg.br/norma/43892294/publicacao/43894328?utm_source=openai))
A agenda brasileira também ocorre em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Em julho, o país participou da criação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial, a Waico, com foco em cooperação técnica, formação de profissionais, compartilhamento de infraestrutura e governança da tecnologia. ([gov.br](https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/agenda-digital-inteligencia-artificial-fundacao-da-waico-nota-conjunta-mre-mcti-mgi?utm_source=openai))
Fonte: G1