Credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul foram usadas para alterar, no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), os dados de Alex Leandro Bispo dos Santos, réu acusado de matar a companheira em São Paulo e considerado foragido desde agosto de 2026.
Segundo informações encaminhadas ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o Registro Judiciário Individual (RJI) de Alex foi modificado em 23 de agosto para exibir o nome e o CPF de outra pessoa. Com a adulteração, consultas no sistema nacional deixavam de indicar o mandado de prisão em aberto contra ele.
A alteração foi identificada em 16 de setembro pelo Ministério Público de São Paulo e pela equipe judiciária. O cadastro foi corrigido no dia seguinte, quando o nome verdadeiro de Alex e o mandado pendente voltaram a aparecer no sistema.
A unidade judicial da Comarca de Planalto, no Rio Grande do Sul, informou que as credenciais da magistrada teriam sido comprometidas. De acordo com a apuração divulgada, o acesso pode ter sido usado por terceiros para modificar dados e emitir documentos fraudulentos. O caso foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e ainda não havia responsável identificado.
O BNMP reúne informações sobre mandados de prisão e outras medidas penais. O sistema atribui a cada pessoa um Registro Judiciário Individual, utilizado para centralizar documentos e ordens judiciais.
Alex é réu no processo que apura a morte de Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, ocorrida em 29 de novembro de 2025, em um prédio na Zona Sul de São Paulo. Segundo a acusação, ele teria jogado a mulher do décimo andar; a defesa nega o crime e sustenta que a morte foi suicídio.
Em 6 de agosto de 2026, a Justiça concedeu liberdade provisória ao empresário, e ele deixou a prisão quatro dias depois. O Ministério Público recorreu, e uma decisão de segunda instância restabeleceu a prisão preventiva, mas Alex não foi localizado.
O empresário também aparece em investigação sobre contratos relacionados ao programa Wi-Fi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo. Ele foi sócio da Favela Conectada, subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil, que mantinha contrato de R$ 108 milhões com o município. A apuração sobre eventual irregularidade ou desvio de recursos continua, sem decisão judicial que atribua a Alex participação em crime financeiro.
A defesa afirmou desconhecer a alteração no BNMP e disse que aguarda o julgamento de recursos. O CNJ e o TJ-SP informaram que não comentam casos específicos.
Fonte: G1