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terça-feira, 22 de setembro de 2026

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Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

Credenciais de juíza são usadas para alterar cadastro de foragido no BNMP

Credenciais de uma juíza foram usadas para alterar os dados de um foragido no BNMP e ocultar temporariamente seu mandado de prisão.

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Credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul foram usadas para alterar, no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), os dados de Alex Leandro Bispo dos Santos, réu acusado de matar Maria Katiane Gomes da Silva em São Paulo e considerado foragido.

A adulteração ocorreu em 23 de agosto. O Registro Judiciário Individual (RJI) de Alex passou a exibir o nome e o CPF de outra pessoa, fazendo com que o mandado de prisão preventiva não aparecesse em consultas realizadas no sistema nacional.

Segundo informações encaminhadas pela Justiça gaúcha ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a senha e o acesso da magistrada da Vara Judicial da Comarca de Planalto teriam sido comprometidos. As credenciais também teriam sido utilizadas para alterar e assinar outros documentos de forma fraudulenta.

A inconsistência foi identificada em 16 de setembro pelo Ministério Público de São Paulo e por equipes do Judiciário. O cadastro foi corrigido no dia seguinte, 17 de setembro, com a retomada da identidade original de Alex e do registro do mandado de prisão pendente.

Alex foi solto em 10 de agosto, após a Justiça revogar a prisão preventiva. No mesmo dia, o Ministério Público recorreu e obteve uma decisão em segunda instância que restabeleceu a ordem de prisão, mas o réu não foi localizado desde então.

Ele responde à acusação de ter matado Maria Katiane, de 25 anos, que caiu do décimo andar de um prédio na Zona Sul de São Paulo, em novembro de 2025. A acusação sustenta que houve agressões antes da queda, enquanto a defesa nega o crime e afirma que a morte foi suicídio.

O nome de Alex também aparece em uma investigação sobre contratos relacionados à instalação de pontos de internet gratuita em São Paulo e ao financiamento do filme “Dark Horse”. As apurações ainda estão em andamento, e não há decisão judicial que tenha concluído a participação dele em eventual desvio de recursos públicos.

O caso da alteração no BNMP foi encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O CNJ e o TJ-SP informaram que não comentam casos específicos. A defesa afirmou desconhecer a invasão do sistema e disse aguardar o julgamento de recursos relacionados à prisão.

Fonte: G1

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