As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 6 bilhões em março de 2026, mais que o dobro do apurado no mesmo período do ano anterior, quando o rombo foi de US$ 2,9 bilhões. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira. Em 12 meses, o déficit acumulado atingiu US$ 64,3 bilhões, superando os US$ 61,2 bilhões de fevereiro.
O Banco Central atribui o aumento do déficit principalmente à queda de US$ 1,6 bilhão no superávit da balança comercial. Houve também déficits maiores em renda primária (US$ 1,1 bilhão) e serviços (US$ 0,6 bilhão).
A balança comercial, que mede a diferença entre exportações e importações de bens, apresentou um saldo positivo de US$ 5,6 bilhões em março, inferior aos US$ 7,2 bilhões de março de 2025. A redução ocorreu porque as importações cresceram mais que as exportações. As exportações subiram 9,5%, totalizando US$ 31,7 bilhões, enquanto as importações avançaram 19,9%, chegando a US$ 26,1 bilhões.
No setor de serviços, o déficit aumentou 14,5%, alcançando US$ 4,8 bilhões, contra US$ 4,2 bilhões no ano anterior. Os gastos com viagens internacionais por brasileiros cresceram 27,8%, totalizando US$ 2 bilhões, contribuindo para o saldo negativo.
O déficit em renda primária também aumentou, passando de um saldo negativo de US$ 6,3 bilhões em março de 2025 para US$ 7,4 bilhões no mesmo mês de 2026. Isso se deveu ao maior pagamento de juros e à remessa de lucros e dividendos para o exterior.
Apesar do cenário, o Brasil continuou atraindo investidores. Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 6 bilhões em março, valor próximo aos US$ 6,3 bilhões registrados em março de 2025. Em 12 meses, os IDP totalizaram US$ 75,7 bilhões, o equivalente a 3,18% do PIB.
Fonte: O Globo