A Justiça de São Paulo deferiu o pedido de recuperação judicial da Fictor e suas holdings, Fictor Holding e Fictor Invest, na noite desta sexta-feira. A decisão, porém, impõe um rigoroso monitoramento das atividades da empresa por peritos externos, que avaliarão a real situação financeira do grupo, que acumula dívidas de R$ 4,2 bilhões com credores.
A juíza Fernanda Perez Jacomini, responsável pelo caso, nomeou a Price Waterhouse Coopers como agente de monitoramento, com a tarefa de fiscalizar as operações e apresentar um primeiro relatório em 15 dias. A Laspro Consultores continuará como administradora judicial.
A magistrada justificou a nomeação do monitoramento como uma forma de lidar com inconsistências documentais e possíveis fraudes apontadas por credores. O objetivo é garantir a transparência e a viabilidade do plano de recuperação, que deverá ser apresentado em 60 dias.
A Fictor solicitou a inclusão da Fictor Alimentos e outras subsidiárias no processo, ampliando o escopo da recuperação. A empresa enfrentou uma crise de reputação após uma proposta de compra do banco Master em novembro do ano passado, o que levou clientes a sacarem cerca de R$ 3 bilhões em investimentos.
O processo de recuperação judicial da Fictor envolve ao menos 13.041 credores, a maioria pessoas físicas que investiram na empresa atraídos por promessas de rendimentos elevados. O número de credores se aproxima ao da American Airlines, que teve um processo com 16.300 credores, embora ainda distante do caso da Oi, com mais de 66 mil credores.
A Justiça determinou a suspensão de ações e execuções contra as empresas por 180 dias, visando preservar as atividades e evitar a insolvência do grupo, o que seria prejudicial a todos os credores.