A Transparência Internacional criticou nesta sexta-feira (10) a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do STF Alexandre de Moraes no caso do Banco Master. A ONG considerou que Lula minimizou um grave conflito de interesses ao comentar o caso em entrevista ao portal ICL Notícias.
A organização avaliou como "óbvio" o conselho dado por Lula a Moraes para que se declarasse impedido em processos que envolvam o escritório de advocacia de sua família. Para a Transparência Internacional, o chefe do Planalto erra ao tratar o episódio apenas como questão de impedimento, ignorando a gravidade do conflito de interesses.
"Mas é extremamente prejudicial ao país a forma como o presidente minimizou o caso, na mesma entrevista ao ICL Noticias, como se fosse meramente uma questão de impedimento. O conflito de interesses, já evidente, é o menor dos problemas neste caso gravíssimo, e a declaração de impedimento por parte de Moraes estaria longe de solucioná-lo", declarou a ONG em nota.
Segundo a organização, o escritório de Viviane Barci de Moraes e seus filhos recebeu R$ 40,1 milhões em 2025 para defender o Banco Master, valor considerado desproporcional em relação a outros 61 escritórios contratados pela instituição financeira.
A Transparência Internacional apontou que o escritório falhou em adotar mecanismos de compliance ao aceitar o contrato, possivelmente com origem criminosa, e atuar na esfera de influência do ministro.
A ONG sugeriu que, em vez de aconselhar Moraes, Lula deveria orientar o Procurador-Geral da República a investigar o caso com independência.
O ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, negam irregularidades.