O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do Ministro Alexandre de Moraes, recebeu R$ 40,1 milhões em 2025 para defender o Banco Master. O valor é dez vezes superior à média paga a outros 61 escritórios contratados pela instituição financeira, que desembolsou R$ 265 milhões no total no ano passado.
Documentos apresentados à Receita Federal pela instituição financeira, controlada por Daniel Vorcaro, revelam que o montante destinado ao escritório Barci de Moraes supera em R$ 13 milhões o valor recebido pelo segundo escritório na lista.
Em comparação, o escritório Rueda Advogados Associados, ligado ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recebeu R$ 1 milhão no mesmo período. O valor pago ao escritório de Viviane Barci de Moraes foi 40 vezes maior.
O relator da CPI Mista, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), considerou os valores incompatíveis com os serviços prestados. "A CPI recebeu documentos que confirmaram os pagamentos realizados no ano de 2024 do Banco Master para o escritório Barci de Moraes. Em nota publicada há algum tempo o próprio escritório confirmou a existência do contrato e apresentou descritivo de serviços que foi amplamente considerado incompatível com o valor pago", afirmou o senador ao GLOBO.
Procurado, o escritório Barci de Moraes classificou as informações como "incorretas e vazadas ilicitamente", ressaltando que "todos os dados fiscais são sigilosos".
A defesa de Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025 ao tentar embarcar para Dubai, divulgou mensagens trocadas entre ele e o Ministro Alexandre de Moraes. Nas mensagens, Vorcaro questiona se haveria "alguma novidade" ou "notícia ou bloqueio". O Ministro respondeu, mas utilizou mensagens de visualização única, que não foram salvas no celular do banqueiro. A Polícia Federal encontrou a troca de mensagens no aparelho de Vorcaro.
Na ocasião da revelação das mensagens, Alexandre de Moraes negou ter recebido as comunicações, classificando-as como "ilações mentirosas".