O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly, acusou o Banco Central de tentar "ficar melhor na foto" em meio a discussões sobre a regulação de fundos de investimento. A declaração foi feita nesta segunda-feira durante um congresso da OAB-RJ, onde Accioly também afirmou que a CVM está "sob ataque".
Accioly, que chefia a autarquia interinamente desde janeiro e é um dos dois únicos diretores empossados, criticou a tentativa de atribuir responsabilidades, dizendo que "o mérito de todos os esforços que a CVM tem feito é do corpo de carreira". O colegiado da CVM está incompleto desde janeiro de 2025, o que dificulta o julgamento de processos e a criação de novas regulações.
O debate sobre fundos de investimento ganhou força após a Operação Carbono Oculto e as revelações sobre o Banco Master, que supostamente utilizou esses veículos para mascarar beneficiários e manipular balanços. Um fundo administrado pela Reag registrou uma rentabilidade de mais de 7 milhões por cento em 2019.
Em janeiro, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cogitou ampliar o poder de fiscalização sobre fundos de investimento para o Banco Central, proposta que gerou um projeto de lei na Câmara.
A CVM, segundo fontes, prepara uma reformulação em comandos de superintendências após um estudo interno apontar falhas na fiscalização. O superintendente-geral Alexandre Pinheiro, o superintendente de Supervisão de Investidores Institucionais (SNI), Marco Velloso, e o superintendente de Regulação com Mercado e Intermediários, André Passaro, estariam de saída.
A autarquia segue sem presidente efetivo desde julho de 2025. As indicações de Otto Lobo e Igor Muniz para os cargos de presidente e diretor, respectivamente, ainda aguardam aprovação do Senado.