A empresa chinesa China Machinery Engineering planeja reativar em novembro uma unidade de 600 megawatts da Usina Centro, na Venezuela, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O equipamento será o primeiro do complexo a voltar a operar após anos de inatividade.
Localizada a cerca de 135 quilômetros a oeste de Caracas, a Usina Centro é a maior termelétrica do país. Construído há aproximadamente 50 anos, o complexo tem seis unidades e poderia gerar mais de 2.500 megawatts em plena capacidade.
A unidade número 6 utilizará óleo combustível fornecido pela estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). A China Machinery Engineering trabalha no local sob um contrato firmado por volta de 2010, ainda durante a presidência de Hugo Chávez.
A usina está praticamente parada desde 2021, afetada por falhas em equipamentos, maquinário obsoleto, escassez de combustível e outros problemas. A retomada deve contribuir para reduzir os apagões que atingem o país e se agravaram após os terremotos de junho.
A rede elétrica venezuelana enfrenta anos de subinvestimento e falta de manutenção. O Observatório Venezuelano de Conflitos Sociais registrou 531 protestos por falta de energia em setembro, mais de 20 vezes o número contabilizado no mesmo período do ano anterior.
A Venezuela tem capacidade teórica de geração de cerca de 37 mil megawatts, aproximadamente metade de origem hidrelétrica, mas muitas usinas estão deterioradas. Peças de alguns equipamentos foram retiradas para reparar outras unidades.
O fornecimento de energia também é considerado essencial para a produção de petróleo, principal atividade econômica do país. Empresas como Repsol, Chevron e North American Blue Energy Partners realizam reparos na infraestrutura elétrica para garantir o acesso à eletricidade, segundo as fontes.
As obras na Usina Centro fazem parte de uma série de reparos na rede elétrica, controlada integralmente pela estatal Corporación Eléctrica Nacional. A americana GE Vernova assinou um acordo preliminar com a Venezuela em junho, mas negociações e atrasos na entrega de equipamentos dificultaram o avanço do projeto.
A empresa argentina Impsa também trabalha na recuperação da hidrelétrica de Tocoma, um projeto inacabado no rio Caroní. A presença da China nas obras ocorre enquanto o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende a redução da influência chinesa na Venezuela.
Fonte: O Globo