O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou sua influência na Corte com a relatoria de casos de grande repercussão, como o do Banco Master e as investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Contudo, uma derrota recente em um julgamento que impediu a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das aposentadorias e pensões expôs os limites de sua ascensão, especialmente em temas que demandam maiorias consolidadas e lidam com o Congresso Nacional.
A decisão, que teve placar de 8 a 2, foi interpretada nos bastidores do STF como um sinal da maioria da Corte. Ministros ouvidos pela reportagem indicam que, apesar do revés, o cenário favorável para Mendonça nas principais investigações em andamento não é alterado. A derrota, porém, sinaliza a necessidade de intensificar a articulação política dentro do tribunal para a formação de consensos em casos que geram atritos entre os Poderes.
O gabinete de Mendonça foi reforçado com a chegada de dois delegados da Polícia Federal, cedidos integralmente pela instituição, para auxiliar na análise de provas e na interlocução com órgãos de investigação. Além disso, a equipe conta com um juiz auxiliar dedicado ao caso Master e recebeu novos servidores, realocados após a aposentadoria do Ministro Luís Roberto Barroso. Essas medidas visam dar vazão a um volume crescente de processos sensíveis e de alta exposição política.
Fontes próximas ao ministro relatam que Mendonça tem adotado uma postura mais assertiva, testando os limites de sua atuação e reforçando a autonomia da Polícia Federal, por vezes tensionando a Procuradoria-Geral da República. Ele se diz "muito tranquilo" e convicto de suas decisões, especialmente sobre o escândalo Master, avaliando que a exposição do caso tem, por ora, favorecido sua posição no tribunal.
Em termos de articulação interna, Mendonça tem encontrado apoio em ministros como Edson Fachin, que busca estabilizar o ambiente na Corte, e Luiz Fux, com quem tem demonstrado convergência em temas institucionais. Por outro lado, o embate com o decano Gilmar Mendes se acentua. Mendes tem criticado publicamente a condução de Mendonça, alertando sobre o uso de "conceitos elásticos" e "juízos morais" como justificativas para prisões e ressaltando a necessidade de fundamentação em elementos concretos.
A divergência entre Mendonça e Mendes foi evidente no julgamento que derrubou a prorrogação da CPI do INSS. Mendes classificou a divulgação de dados sigilosos por CPIs como "abominável" e "crime coletivo", em um recado interpretado como direto à atuação de Mendonça. O julgamento também mostrou o alinhamento entre Mendonça e Fux, que acompanhou o relator pela manutenção da prorrogação, reforçando um eixo de convergência, ainda que insuficiente para sustentar a posição.
A Ministra Cármen Lúcia é vista como uma potencial aliada de Mendonça, pois compartilha da avaliação de que uma investigação aprofundada sobre o caso Master seria benéfica para a imagem do STF.