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sábado, 24 de outubro de 2026

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ECONOMIA

0,1% mais rico esconde R$ 3,55 tri em paraísos fiscais, diz Oxfam

Estudo da Oxfam revela que elite global esconde US$ 3,55 trilhões em paraísos fiscais, valor superior à riqueza de 4,1 bilhões de pessoas. Organização pede tributação de super-ricos e fim da evasão fiscal.

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0,1% mais rico esconde R$ 3,55 tri em paraísos fiscais, diz Oxfam

A elite global, composta por 0,1% dos mais ricos, esconde o equivalente a US$ 3,55 trilhões em riqueza não tributada em paraísos fiscais. O montante supera toda a fortuna da metade mais pobre da população mundial, formada por 4,1 bilhões de pessoas. A estimativa é da Oxfam, divulgada em análise sobre os 10 anos do escândalo Panama Papers.

Em 2024, o valor de ativos offshore não declarados foi estimado em US$ 3,55 trilhões. Esse montante é superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da França e mais que o dobro do PIB combinado de 44 países menos desenvolvidos. O 0,1% mais rico detém cerca de 80% dessa riqueza offshore, o que equivale a aproximadamente US$ 2,84 trilhões.

Dez anos após a revelação do escândalo Panama Papers, que expôs a indústria de empresas offshore usada para ocultar fortunas, os super-ricos continuam a utilizar essas estruturas para sonegar impostos. A Oxfam alerta que essa prática coloca os mais ricos acima das leis e obrigações fiscais que regem o restante da sociedade.

A organização pede ação internacional coordenada para tributar a riqueza extrema e combater o uso de paraísos fiscais. Segundo a Oxfam, a prática leva à falta de recursos em serviços públicos essenciais, como hospitais e escolas, e aprofunda a desigualdade social.

A Oxfam aponta que, apesar de progressos na redução da riqueza offshore não tributada, o problema persiste, representando 3,2% do PIB global. A organização ressalta que países do Sul Global são excluídos do sistema de Troca Automática de Informações (AEOI), que tem contribuído para diminuir a evasão fiscal.

No Brasil, a situação refletida nos Panama Papers ainda é atual. Uma arquitetura global protege grandes fortunas, enquanto a maioria da população paga proporcionalmente mais impostos. A Oxfam defende que a justiça fiscal passa, necessariamente, pela tributação dos super-ricos.

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