O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, acusou nesta quinta-feira (19/03/2026) o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de criar um "muro de proteção" para o colega Dias Toffoli. A crítica surge após Gilmar suspender a quebra de sigilo do fundo Arleen, que negociou a compra de participação em uma empresa ligada a Toffoli. Vieira alegou que a decisão de Mendes visou anular a quebra de sigilo bancário e fiscal do fundo, que seria essencial para as investigações sobre pagamentos a terceiros. A CPI buscava informações sobre a movimentação financeira do fundo Arleen, o qual adquiriu em 2021 a participação da empresa Maridt, de Toffoli, em um resort no Paraná. Gilmar Mendes justificou a suspensão alegando que a CPI tentou contornar uma decisão anterior da Corte que já havia barrado a quebra de sigilo da Maridt, configurando "ilegalidades flagrantes". O relator da CPI rebateu a avaliação, acusando ministros do STF de agirem coordenadamente para frear as investigações e garantir a impunidade. Vieira também mencionou a articulação para a instalação de uma "CPI da Toga Master" para investigar o possível envolvimento de ministros do STF, como Toffoli e Alexandre de Moraes, no caso. A investigação sobre o fundo Arleen aponta ligações com estruturas financeiras do Banco Master e movimentações financeiras incompatíveis de um de seus cotistas. Esta decisão de Gilmar Mendes representa mais um revés para a CPI no STF, que na semana anterior já havia tido a quebra de sigilo da empresa Maridt suspensa. Vieira afirmou que recorrerá da decisão e intensificará a pressão política contra o STF.
Fonte: O Globo