O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, negou irregularidades em suas operações financeiras ao ser questionado nesta quarta-feira (11) pela CPI do Crime Organizado do Senado. Convocado para prestar esclarecimentos sobre o caso do Banco Master, Mansur afirmou que a Reag sempre operou com alta governança e transparência.
"Tínhamos aproximadamente 800 funcionários que trabalhavam nos fundos. A empresa sempre foi auditada por consultorias internacionais. Escolhemos o nível de governança mais alto possível justamente por isso. Tínhamos operações claras e transparentes e fomos penalizados por sermos grandes e independentes", declarou.
Mansur também ressaltou que o Banco Master era apenas um cliente da gestora, regulado pelo Banco Central, e refutou a acusação de que a Reag seria uma empresa de fachada. "O Banco Master era um cliente como o senhor, como meu advogado, regulado pelo Banco Central. Nunca fomos empresa de fachada", disse.
Apesar do apelo do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), para que apresentasse sua versão dos fatos, Mansur exerceu seu direito constitucional de permanecer em silêncio, amparado por decisão do STF que o autoriza a não responder perguntas que possam levar à autoincriminação. Ele se limitou a responder sobre "informações públicas" da empresa.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), criticou a postura do empresário. "Não vamos ficar aqui ensaiando um teatro de perguntas. O Master é um escândalo (...) e, da minha parte, encerro a minha participação", afirmou.
O senador Sergio Moro (União-PR) também questionou Mansur sobre suspeitas envolvendo fundos administrados pela Reag e lavagem de dinheiro, recebendo a mesma resposta de silêncio.
Mansur é citado em investigações sobre operações financeiras consideradas atípicas envolvendo fundos da Reag e transações ligadas a empréstimos do Banco Master. Ele foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A presença do empresário era considerada relevante pela CPI para esclarecer o papel de gestores de fundos e operadores do mercado financeiro nas transações sob análise.
O Globo