O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta segunda-feira (10) um pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento reuniu 35 assinaturas, oito a mais que o mínimo exigido, superando o número necessário para a instalação do colegiado.
A CPI pretende apurar a conduta dos ministros no âmbito do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. O pedido conta com o apoio de senadores da oposição, incluindo Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e apenas um parlamentar da base governista, Flávio Arns (PSB-PR), assinou o documento. Nenhum senador do PT endossou a iniciativa.
A CPI para investigar Moraes e Toffoli avança no Senado sem PT. "O caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento", declarou Vieira em nota.
A instalação da CPI, contudo, depende da aprovação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem demonstrado resistência em acolher o pedido. Uma CPI mista sobre o mesmo escândalo já existe, mas também não tem perspectiva de ser instaurada.
Investigações apontam que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, enviou uma mensagem a Alexandre de Moraes no dia de sua prisão, questionando sobre a possibilidade de obter notícias ou bloquear algo. As mensagens de Moraes, enviadas com a função de visualização única, não permitem saber o conteúdo. O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, divulgou nota afirmando que atuou em 36 pareceres e 94 reuniões entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mas nunca perante o STF.
Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master no STF em fevereiro, após a Polícia Federal apresentar mensagens de Vorcaro que mencionavam o ministro. O caso agora é relatado pelo ministro André Mendonça.
O Globo