Brasília, DF – Na véspera do Dia Internacional da Mulher, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para demonstrar avanços concretos no combate ao feminicídio, apesar de o tema ser uma das principais bandeiras sociais da gestão. O aumento dos casos e a pressão política colocam o governo em xeque, abrindo espaço para a oposição, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), explorar a questão para desgastar o petista e atrair o eleitorado feminino.
Lula tem incorporado o combate ao feminicídio em seus discursos, visando utilizá-lo como pauta eleitoral. No entanto, o recorde de 1.470 feminicídios registrados em 2025, superando os 1.464 de 2024, representa um desafio significativo. O Planalto optou por um pronunciamento em rede nacional em vez de cerimônias, enquanto o PT convocou manifestações pelo país.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou dados de operações contra a violência de gênero, com 5.238 prisões entre 9 de fevereiro e 5 de março. A segurança pública é um tema central nas eleições de outubro, onde a esquerda historicamente enfrenta dificuldades.
Flávio Bolsonaro já iniciou movimentos direcionados ao eleitorado feminino, prometendo um governo que priorize a proteção das mulheres e o apoio a mães solo, remetendo à gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliados de Flávio consideram Michelle Bolsonaro uma peça-chave para dialogar com as mulheres.
Um auxiliar de Lula minimiza as ações de Bolsonaro, classificando-as como meramente eleitorais, e reitera o compromisso histórico da esquerda com a causa, além de planejar explorar declarações machistas de Jair Bolsonaro durante a campanha.
O governo tem destacado o pacto lançado em fevereiro, que une Executivo, Legislativo e Judiciário no enfrentamento à violência contra mulheres. A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, idealizadora do pacto, ressaltou a importância da união dos três Poderes e a necessidade de mudança cultural, admitindo que os resultados não serão imediatos.
O plano de trabalho do pacto prioriza a aceleração de medidas protetivas, a responsabilização de agressores, a ampliação da rede de atendimento às vítimas e a promoção de mudanças culturais. Entre as ações anunciadas estão mutirão para cumprimento de mandados de prisão, monitoramento eletrônico de agressores, implementação de 52 unidades móveis de atendimento (Salas Lilás) e fortalecimento de delegacias especializadas.
Na área social, o Ministério das Mulheres anunciou a abertura de novas unidades da Casa da Mulher Brasileira e centros de atendimento, enquanto o Ministério da Saúde prevê 4,7 milhões de atendimentos psicológicos anuais a vítimas de violência.
No Congresso, o Senado ampliará a divulgação do canal “ZAP Delas”, e a Câmara definirá pauta de votações focada no enfrentamento à violência contra as mulheres. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborará um diagnóstico nacional sobre medidas protetivas de urgência.
O 8 de março intensifica a cobrança por resultados, especialmente após o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro. Embora o governo destaque a integração entre os Poderes, as medidas ainda estão em fase de planejamento ou implementação inicial.
Aliados de Lula reconhecem falhas recentes, como a ausência do discurso da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em cerimônia no Planalto, e críticas ao desfile de uma escola de samba no carnaval. O PT convocou manifestações para o 8 de Março com pautas amplas, como o fim da escala de trabalho 6x1, reafirmando o compromisso com o combate à violência contra a mulher e a necessidade de ações concretas, orçamento e mudança cultural.
Fonte: G1