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terça-feira, 13 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Conflito no Oriente Médio afeta custos no agronegócio brasileiro

Tensão no Oriente Médio eleva custos de produção no agronegócio brasileiro, com impacto no preço do petróleo, fertilizantes e frete. CNA pede aumento da mistura de biodiesel no diesel.

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Conflito no Oriente Médio afeta custos no agronegócio brasileiro

A escalada de tensão no Oriente Médio já gera preocupações no agronegócio brasileiro, impactando diretamente os custos de produção. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o principal efeito no momento é o aumento do preço do petróleo, fertilizantes e do frete marítimo.

A região é estratégica para o fornecimento global de energia e insumos agrícolas, concentrando cerca de 20% do comércio internacional de petróleo e gás, 30% dos fertilizantes e entre 25% e 35% da amônia e ureia. Interrupções no Estreito de Ormuz podem pressionar os preços internacionais e afetar o mercado brasileiro.

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, destacou a alta do petróleo, que saltou de US$ 70 para US$ 86 o barril em poucos dias. Esse aumento afeta o campo em um período crucial, coincidindo com a colheita da soja e o plantio do milho.

Um levantamento da CNA mostra que, entre o fim de fevereiro e o início de março, o barril do Brent subiu 27%, enquanto a ureia no Brasil avançou 33%. A entidade solicitou ao Ministério de Minas e Energia o aumento imediato da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, de 15% para 17%, para mitigar a pressão sobre o combustível usado nas operações agrícolas e no transporte.

Lucchi considera o diesel o ponto mais crítico, pois o impacto é sentido imediatamente. A discussão sobre antecipar o aumento da mistura de biodiesel ocorre em um cenário de safra recorde de soja, estimada em 170 milhões de toneladas, e com preços deprimidos ao produtor.

No que diz respeito aos fertilizantes nitrogenados, o Brasil depende de fornecedores da região. Embora o abastecimento da segunda safra de milho esteja garantido, o impacto mais relevante deve ocorrer no segundo semestre, com as compras para a safra 2026/2027.

No comércio exterior, a preocupação de curto prazo recai sobre o milho exportado para o Irã, que responde por 68% das vendas brasileiras ao país. No entanto, o risco imediato é menor, pois o pico das exportações para o Irã ocorre entre agosto e janeiro.

O Irã é responsável por cerca de US$ 3 bilhões em compras do Brasil, concentradas no agronegócio. Para soja e açúcar, o efeito tende a ser administrável, com volumes exportados para o Irã representando uma pequena porcentagem das vendas totais brasileiras.

A cadeia de proteína animal é a mais exposta no Oriente Médio como um todo. Cerca de 30% da carne de frango exportada pelo Brasil tem a região como destino. Empresas do setor buscam rotas alternativas para contornar dificuldades logísticas, e os embarques seguem ocorrendo, apesar do aumento de frete, seguros e desvios de rota.

Para a carne bovina, o impacto é mais limitado, com o Oriente Médio respondendo por 6,8% do valor exportado pelo Brasil em 2025. A CNA considera exageradas as estimativas de alta de 30% a 40% no frete, pois o impacto concreto nas rotas globais ainda não se materializou.

O cenário exige acompanhamento constante, mas a CNA não recomenda reações precipitadas. A evolução do conflito pode alterar rapidamente custos e logística do comércio agrícola global.

Fonte: O Globo

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