Correntistas e aposentados do Ueno Bank protestaram nesta quarta-feira (4) no centro de Assunção e em frente à residência oficial do presidente do Paraguai, Santiago Peña, para exigir a devolução integral dos recursos bloqueados após o Banco Central assumir o controle da instituição.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, centenas de pessoas iniciaram uma manifestação pacífica diante do Panteão Nacional dos Heróis. O ato terminou em tumulto quando um grupo tentou avançar em direção ao Congresso Nacional e foi contido pela Polícia Nacional.
Outro grupo se concentrou em frente à residência oficial de Mburuvicha Róga. Com cartazes que defendiam a garantia estatal de 100% dos recursos, os manifestantes também cobraram a devolução de valores do Instituto de Previdência Social e de fundos de aposentadoria retidos no banco.
Na segunda-feira (2), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank após constatar que a instituição estava subcapitalizada. A medida bloqueou o acesso às contas e aos investimentos do banco.
O Ueno era a maior operadora de cartões de crédito do Paraguai, com quase 1,1 milhão de cartões emitidos até setembro, segundo dados do Banco Central. No fim do ano passado, a instituição informava ter 2,6 milhões de clientes.
O banco é controlado pelo Grupo Vázquez. Segundo as informações citadas na reportagem, os depósitos do governo no Ueno aumentaram desde que Peña assumiu a Presidência, em 2023, e chegaram a aproximadamente 5 trilhões de guaranis no fim de junho, o equivalente a 29% dos depósitos da instituição.
O sistema bancário paraguaio conta com um Fundo de Garantia que prevê a devolução dos depósitos em até 15 dias, limitada a 75 salários mínimos. Na terça-feira (3), o Senado aprovou a antecipação de parte do pagamento para 24 horas e fixou o adiantamento em 121 milhões de guaranis, equivalente a 40 salários mínimos, sem alterar a cobertura total prevista.
O projeto será analisado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (4).
Fonte: O Globo