A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta terça-feira (3), em Madri, que o mundo sobe uma "escadaria da dívida pública" e se aproxima de uma relação de 100% entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB).
Durante a Conferência Internacional de Bancos, promovida pelo Santander, Georgieva disse que a combinação de inflação alta e juros elevados tornou mais difícil para os governos arcar com o serviço da dívida, com impacto sobre empresas e famílias.
Segundo a diretora-geral, os governos ampliaram empréstimos e gastos para enfrentar crises como a pandemia e a guerra na Ucrânia, mas não recompuseram reservas de proteção nos períodos de trégua. Ela defendeu um ajuste fiscal urgente e maior prudência na gestão dos recursos públicos.
Georgieva afirmou que o crescimento econômico, sozinho, não será suficiente para retirar os países do endividamento. Ela citou os Estados Unidos como exemplo de economia avançada com descontrole fiscal, com dívida de US$ 43 trilhões e déficit equivalente a 6% do PIB, segundo os dados apresentados na conferência.
A diretora do FMI disse que a instituição tem cerca de US$ 1 trilhão disponível para auxiliar países em crise, mas defendeu que as grandes potências resolvam seus próprios problemas fiscais sem recorrer ao Fundo.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, também presente no evento, apresentou as medidas adotadas pelo país para melhorar as contas públicas e atrair investimentos. Segundo ele, o déficit fiscal acumulado em 12 meses está em 1,8% do PIB, abaixo da projeção inicial de 2,8%.
Kast afirmou que o Chile reduziu a alíquota do imposto corporativo de 27% para 23% e passou a oferecer estabilidade tributária por até 20 anos para grandes projetos. Ele também mencionou a redução de 55 para 13 autorizações setoriais na mineração.
A presidente-executiva do Santander, Ana Botín, disse que os governos estão próximos do limite de endividamento e defendeu a mobilização de capital privado para financiar investimentos em transição energética, infraestrutura, inteligência artificial e defesa.
Fonte: O Globo