Leonardo Maria Del Vecchio, herdeiro da Ray-Ban, apresentou uma proposta avaliada em € 29,6 bilhões pela Delfin Sarl, holding que reúne os principais ativos da família, em uma nova etapa da disputa pelo patrimônio do grupo. A oferta foi apresentada em uma carta publicada em seu jornal, o QN.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, o projeto conta com € 22 bilhões em financiamento do Citigroup. A informação também foi publicada pelo jornal italiano Corriere della Sera. Representantes da Delfin e do banco não comentaram.
De acordo com o Corriere, Leonardo Maria oferece € 3,7 bilhões a cada um dos outros sete coproprietários da holding. A Delfin tem entre os sócios a viúva, o enteado e os seis filhos de Leonardo Del Vecchio, fundador da EssilorLuxottica e pai de Leonardo Maria, com participações iguais de 12,5%.
A proposta pode impedir uma oferta do empresário tcheco Michal Strnad, do setor de armamentos, que pretende assumir o controle da Delfin por cerca de € 30 bilhões. Strnad apresentou, em 20 de outubro, uma oferta para comprar pelo menos 62,5% da holding, com desconto de 30% sobre seu valor patrimonial líquido.
Leonardo Maria é apontado como o membro mais atuante da família e já fez críticas públicas a Francesco Milleri, presidente da Delfin e CEO da EssilorLuxottica. Ele também responsabilizou Milleri pela queda das ações da fabricante de óculos e afirmou que o executivo estava concentrado nas participações financeiras da holding.
No início de 2026, Leonardo Maria tentou comprar uma participação conjunta de 25% dos irmãos Luca e Paola por € 10 bilhões, mas a negociação não avançou. Uma proposta posterior para adquirir a participação do meio-irmão Rocco Basilico também foi rejeitada.
A Delfin tem cerca de 32,5% da EssilorLuxottica, dona de marcas como Ray-Ban, além de participações em instituições financeiras italianas. O valor de suas participações em empresas abertas, incluindo Banca Monte dei Paschi di Siena, UniCredit e Assicurazioni Generali, foi estimado em cerca de € 45 bilhões na sexta-feira, segundo cálculos da Bloomberg.
Na carta, Leonardo Maria afirmou que recebeu apoio financeiro de uma instituição internacional não identificada e que apresentará o projeto aos demais acionistas em 7 de novembro. Ele também disse que a estrutura teria regras de governança mais rígidas e seria acompanhada por dois profissionais com experiência gerencial, jurídica e financeira.
O estatuto da Delfin, sediada em Luxemburgo, exige consenso ou maiorias qualificadas para decisões relevantes. As ações da EssilorLuxottica subiram até 1,7% em Paris e atingiram a maior cotação intradiária desde junho.
Fonte: O Globo