Levantamento da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) aponta que cerca de 34 mil plataformas ilegais de apostas continuam em operação no Brasil 39 dias após a edição da medida que proibiu as bets no país.
Os dados foram obtidos pela plataforma de monitoramento LegitBet e serão apresentados pela ANJL em audiência pública realizada nesta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute o futuro do setor no Brasil.
Monitoramento identifica domínios em série; STF debate efeitos da proibição
Os relatórios da plataforma LegitBet ajudam a dimensionar a circulação de endereços suspeitos de oferecer apostas. Até 27 de outubro, o sistema acumulava 60.477 sites detectados, dos quais 34.134 apresentavam as características verificadas pela ferramenta. Entre 23 e 27 de outubro, foram confirmados 1.452 endereços, média de aproximadamente 290 por dia, segundo documentos compartilhados pela ANJL com o portal especializado BNLData.
A contagem exige uma distinção: os registros representam endereços incorporados à base de monitoramento, não necessariamente sites criados naquele período ou empresas diferentes. A confirmação indica a identificação de elementos associados às apostas, como ofertas de bônus, pagamentos por Pix e formulários de cadastro. A classificação não substitui a análise das autoridades nem demonstra, isoladamente, que todos os endereços permaneciam simultaneamente ativos.
O levantamento também identificou famílias de domínios com pequenas variações de números, letras e terminações. Em 27 de outubro, 73% dos endereços confirmados tinham dígitos no nome. Os relatórios registraram ainda a divulgação recorrente de páginas já identificadas, indicando que a circulação dos links continua mesmo depois de sua inclusão no monitoramento.
Essas informações chegam ao STF em uma disputa na qual a própria ANJL é parte interessada. A associação apresentou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 8027, que pede a suspensão da Medida Provisória 1.394/2026 e sua posterior declaração de inconstitucionalidade. A norma proibiu a exploração das apostas de quota fixa e determinou o encerramento das autorizações concedidas ao setor.
Convocada pelo ministro Luiz Fux, a audiência desta terça-feira (3) reúne representantes do governo, do mercado de apostas, de entidades esportivas e de outros setores econômicos. Após a ampliação da lista, o encontro passou a contar com 34 instituições, incluindo os ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Agência Brasil
O debate busca reunir elementos sobre os efeitos econômicos, sociais e regulatórios da proibição. A realização da audiência não equivale a um julgamento da medida provisória: a decisão sobre os pedidos apresentados nas ações dependerá da análise do Supremo.
Na manhã desta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, em vídeo publicado nas redes sociais, a sociedade civil a se mobilizar contra as bets.
Fonte: O Globo