A Schaeffler, fornecedora da Volkswagen, anunciou nesta terça-feira, 3 de novembro, um plano para eliminar 3.460 postos de trabalho na Europa e fechar cinco unidades, quatro na Alemanha e uma na Bélgica.
Cerca de três quartos dos cortes ocorrerão na Alemanha, onde a fabricante de rolamentos e sistemas de transmissão híbrido-elétricos pretende reduzir operações de alto custo. A empresa atribuiu a decisão à desaceleração do mercado automotivo e ao aumento da concorrência.
A companhia também citou a queda na demanda por veículos com motores a combustão e o ritmo mais lento do que o esperado na expansão da mobilidade elétrica. Segundo a Schaeffler, o custo por empregado na Alemanha é cerca de duas vezes e meia superior ao de outras regiões da Europa.
As medidas devem reduzir em aproximadamente 9% o quadro de funcionários da empresa na Alemanha até 2028. A companhia informou que empregava 31.957 pessoas no país e que, somando a rodada anterior de cortes, a redução acumulada chegará a cerca de 18%.
A Schaeffler emprega aproximadamente 109 mil pessoas no mundo. O plano prevê ainda a eliminação de dois níveis hierárquicos e uma redução de 10% nos salários-base dos principais executivos.
De acordo com a empresa, as mudanças devem gerar cerca de € 300 milhões em economias anuais a partir de 2030 e resultar em aproximadamente € 480 milhões em despesas não recorrentes. As ações da Schaeffler chegaram a recuar 4,5% nesta terça-feira, após a divulgação de resultados do terceiro trimestre abaixo das expectativas.
O CEO Klaus Rosenfeld afirmou que as condições da indústria automobilística alemã pioraram desde o programa de reestruturação anunciado em 2024. O plano anterior previa a eliminação de 4.700 postos de trabalho na Europa e economias anuais de aproximadamente € 290 milhões até 2029.
O sindicato IG Metall e o conselho de trabalhadores da Schaeffler criticaram a nova reestruturação. Segundo o representante sindical Thomas Höhn, os sucessivos cortes e fechamentos de unidades enfraquecem a base industrial da empresa na Alemanha.
A empresa integra uma onda de cortes na indústria automobilística alemã, que também enfrenta fraca demanda, custos elevados, concorrência de fabricantes chineses e uma transição para veículos elétricos mais lenta do que o previsto. A Schaeffler fornece componentes para montadoras como General Motors e BMW e busca ampliar sua atuação em setores como robótica humanoide e defesa.
As medidas foram anunciadas em meio a paralisações de metalúrgicos alemães. O IG Metall reivindica aumento salarial de 5% em 12 meses, além de garantias para empregos e unidades de produção, enquanto os empregadores propuseram um pagamento único em 2027 e reajuste de 1,3% a partir de julho de 2028.
Fonte: O Globo