Autoridades de inteligência dos Estados Unidos concluíram que Alice Huang, executiva da empresa de data centers Megaspeed, de Cingapura, atuava como agente dos serviços de inteligência chineses e repassava informações a Pequim, segundo pessoas informadas sobre uma investigação sigilosa. A vigilância também identificou uma relação próxima entre Huang e Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia.
As fontes afirmaram que Jensen Huang não recebeu um alerta preventivo de segurança sobre a empresária. Não está claro se ele sabia que ela estaria coletando informações para a China, quais dados foram transmitidos ou qual agência americana conduziu o monitoramento.
A investigação ocorre em meio aos esforços de Washington para limitar o acesso chinês aos chips avançados de inteligência artificial da Nvidia. Autoridades americanas já suspeitavam que a Megaspeed ajudasse a China a contornar as restrições de exportação.
A Megaspeed compra chips para operar data centers no Sudeste Asiático e aluga a capacidade computacional a empresas chinesas, incluindo a Alibaba, segundo o relato. Registros comerciais indicam que uma empresa do mesmo grupo, sediada na Malásia, adquiriu pelo menos US$ 4,8 bilhões em equipamentos avançados de inteligência artificial entre junho de 2024 e fevereiro de 2026.
A Nvidia afirmou que a Megaspeed é um cliente regional como outros e disse ter investigado e refutado anteriormente alegações de contrabando de chips para a China. O porta-voz John Rizzo declarou que as interações de Jensen Huang com Alice Huang eram compatíveis com reuniões comerciais e que a executiva não recebeu segredos comerciais ou informações relevantes para a segurança nacional.
A Megaspeed informou que contratou assessoria jurídica externa para investigar as alegações e que notificou o governo dos Estados Unidos sobre seu compromisso de cooperar. Alice Huang não respondeu aos pedidos de comentário.
A Casa Branca, a CIA e a NSA não comentaram o caso. A Embaixada da China em Washington classificou as acusações como uma campanha de “difamações e calúnias infundadas” contra o país.
O governo americano investiga a Megaspeed desde o fim de 2024, quando um funcionário do Departamento de Comércio visitou um data center da empresa na Malásia. Segundo autoridades americanas, a apuração foi transferida neste ano para o Departamento de Justiça.
Fonte: O Globo