O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após a derrota eleitoral no domingo e entrou nos Estados Unidos, onde recebeu autorização temporária para permanecer até 27 de outubro de 2027. O registro migratório, emitido em 28 de outubro de 2026, indica admissão por razões humanitárias, embora a permissão possa ser revogada.
Flávio estava com os passaportes brasileiro e diplomático cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não tinha mandado de prisão em aberto quando deixou o país. Ele é alvo de dois inquéritos na Corte relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro, segundo as informações apresentadas na reportagem.
O Brasil mantém um acordo de extradição com os Estados Unidos desde 1961. Um eventual pedido, porém, dependeria de uma ordem de prisão emitida pela Justiça brasileira e da análise das autoridades judiciais americanas sobre a validade das acusações em seu território.
Nas condições descritas, o cancelamento do passaporte não implica deportação automática. O documento de imigração registra a classe de admissão “DT”, que corresponde a uma autorização temporária concedida no local de entrada, sem indicação de que os vistos anunciados inicialmente para o senador e sua família tenham sido emitidos.
Flávio mantém mandato de senador pelo Rio de Janeiro até fevereiro de 2027 e recebe salário de R$ 46.366,19. Até o momento, não havia pedido licença nem informado que abriria mão dos valores enquanto permanecesse fora do Brasil.
A Polícia Federal afirmou, em pedido para reter o passaporte do parlamentar, que ele teria uma estrutura financeira para se manter nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, parte dos recursos poderia vir de Willer Tomaz, suspeito de movimentar R$ 5 bilhões em plataformas de apostas, e outra estrutura estaria ligada ao deputado Eduardo Bolsonaro.
Para o especialista em Direito Processual Penal Renato Stanziola Vieira, novas medidas judiciais são possíveis, mas dependeriam de pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Ele avaliou que o descumprimento da ordem de entrega do passaporte e a saída do país poderiam justificar medidas adicionais, inclusive uma eventual prisão preventiva.
A Polícia Federal informou que não poderia impedir a circulação de Flávio porque não havia ordem de prisão. A corporação ainda apura se ele passou por um posto de controle migratório brasileiro, já que não encontrou registro formal de saída dele e de familiares.
Segundo o Ministério da Segurança da Argentina, Flávio atravessou a Ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira e apresentou o passaporte italiano no aeroporto argentino às 23h52. O trajeto até a Argentina ainda não foi esclarecido; há versões sobre uma viagem de van ou em avião privado.
A Polícia Federal investiga se o senador recebeu apoio do governo argentino de Javier Milei. O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, informou que estava ciente da viagem e que concederia vistos ao senador e aos familiares, enquanto relatos também apontaram a participação de Eduardo Bolsonaro na articulação da saída.
Fonte: O Globo