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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Flávio Bolsonaro tem autorização para permanecer nos EUA até outubro de 2027

Flávio Bolsonaro recebeu autorização temporária para permanecer nos EUA até outubro de 2027, enquanto autoridades avaliam medidas judiciais.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após a derrota eleitoral no domingo e entrou nos Estados Unidos, onde recebeu autorização temporária para permanecer até 27 de outubro de 2027. O registro migratório, emitido em 28 de outubro de 2026, indica admissão por razões humanitárias, embora a permissão possa ser revogada.

Flávio estava com os passaportes brasileiro e diplomático cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não tinha mandado de prisão em aberto quando deixou o país. Ele é alvo de dois inquéritos na Corte relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro, segundo as informações apresentadas na reportagem.

O Brasil mantém um acordo de extradição com os Estados Unidos desde 1961. Um eventual pedido, porém, dependeria de uma ordem de prisão emitida pela Justiça brasileira e da análise das autoridades judiciais americanas sobre a validade das acusações em seu território.

Nas condições descritas, o cancelamento do passaporte não implica deportação automática. O documento de imigração registra a classe de admissão “DT”, que corresponde a uma autorização temporária concedida no local de entrada, sem indicação de que os vistos anunciados inicialmente para o senador e sua família tenham sido emitidos.

Flávio mantém mandato de senador pelo Rio de Janeiro até fevereiro de 2027 e recebe salário de R$ 46.366,19. Até o momento, não havia pedido licença nem informado que abriria mão dos valores enquanto permanecesse fora do Brasil.

A Polícia Federal afirmou, em pedido para reter o passaporte do parlamentar, que ele teria uma estrutura financeira para se manter nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, parte dos recursos poderia vir de Willer Tomaz, suspeito de movimentar R$ 5 bilhões em plataformas de apostas, e outra estrutura estaria ligada ao deputado Eduardo Bolsonaro.

Para o especialista em Direito Processual Penal Renato Stanziola Vieira, novas medidas judiciais são possíveis, mas dependeriam de pedidos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Ele avaliou que o descumprimento da ordem de entrega do passaporte e a saída do país poderiam justificar medidas adicionais, inclusive uma eventual prisão preventiva.

A Polícia Federal informou que não poderia impedir a circulação de Flávio porque não havia ordem de prisão. A corporação ainda apura se ele passou por um posto de controle migratório brasileiro, já que não encontrou registro formal de saída dele e de familiares.

Segundo o Ministério da Segurança da Argentina, Flávio atravessou a Ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira e apresentou o passaporte italiano no aeroporto argentino às 23h52. O trajeto até a Argentina ainda não foi esclarecido; há versões sobre uma viagem de van ou em avião privado.

A Polícia Federal investiga se o senador recebeu apoio do governo argentino de Javier Milei. O governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, informou que estava ciente da viagem e que concederia vistos ao senador e aos familiares, enquanto relatos também apontaram a participação de Eduardo Bolsonaro na articulação da saída.

Fonte: O Globo

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