Após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmada nas urnas no domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e publicou uma carta nas redes sociais. Segundo o relato, a decisão ocorreu depois de uma conversa com o empresário Paulo Figueiredo, que está nos Estados Unidos.
Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, defendeu que Flávio permanecesse no exterior para liderar a oposição ao lado do irmão. O empresário também criticou o retorno de Jair Bolsonaro ao Brasil após a derrota eleitoral anterior, afirmando que o ex-presidente acabaria preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A movimentação contrasta com a estratégia adotada na campanha, que tentou apresentar Flávio como um nome moderado para reduzir a rejeição ao sobrenome Bolsonaro. Em uma propaganda exibida em agosto, a mulher do senador, Fernanda, afirmou que havia “reeducado” o marido.
As avaliações sobre as causas da derrota dividem aliados do senador. Enquanto setores do PL, do Centrão e da equipe de campanha atribuíram o resultado à postura do candidato no segundo turno e à condução de sua imagem, Flávio, Eduardo Bolsonaro e Figueiredo apontaram falta de mobilização da direita nas redes sociais.
Figueiredo vinha cobrando maior participação de parlamentares e governadores do PL na campanha por meio de transmissões ao vivo e do site “Flaviômetro”. Ele também defendeu a retomada de articulações com o governo dos Estados Unidos por sanções contra ministros do STF, iniciativa que, segundo o texto, havia sido interrompida durante a campanha.
As transmissões do empresário passaram ainda a criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por defender que a eleição terminou e que é preciso olhar para a frente. A disputa pelo comando da direita, antes restrita aos bastidores, passou a ser exposta publicamente nas redes sociais.
Fonte: O Globo