Críticas à ida do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos tiveram repercussão quatro vezes maior nas redes sociais do que a narrativa de perseguição ao parlamentar, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque realizado entre 26 e 28 de outubro.
O eixo que reúne publicações sobre fuga, paradeiro e responsabilização concentrou 1,9 milhão de postagens e 33,3 milhões de interações, o maior volume entre os temas monitorados. As menções a perseguição ou pedido de asilo nos Estados Unidos somaram 502,6 mil publicações e 7,4 milhões de interações.
De acordo com o instituto, as discussões sobre a localização de Flávio, principalmente nos Estados Unidos e na Argentina, superaram as menções à fuga e ao cancelamento dos passaportes. Hashtags como #FlavioFugitivo e #FLAVIOBOLSONAROFUGIU foram usadas de forma irônica por críticos, enquanto #DeportTheBolsonaros reuniu manifestações em inglês favoráveis à deportação da família.
O governo argentino informou que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, usando o passaporte italiano. Segundo o relato, ele seguiu de jatinho para Guayaquil, no Equador, e depois embarcou para o aeroporto Opa Locka, no condado de Miami-Dade.
Os passaportes de Flávio foram cancelados por decisão do ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, sob a alegação de risco de fuga durante as investigações às quais o senador responde. O parlamentar não entregou os documentos no prazo determinado. Após divulgar uma carta na qual se declarou "presidente eleito do Brasil", Flávio apagou o texto e publicou uma nova versão, na qual passou a se apresentar como "líder do Brasil". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não iria se envolver no caso.
Fonte: O Globo