A oposição israelense acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (26), de explorar o conflito com o Irã para obter vantagem política às vésperas das eleições legislativas do país.
Segundo o Canal 12, o chefe das Forças Armadas, Eyal Zamir, pediu esclarecimentos ao governo sobre uma possível operação militar contra o Irã antes da votação. De acordo com a emissora, ele também solicitou garantias jurídicas e autorizações formais antes de qualquer ação.
Netanyahu negou a informação. O ministro da Defesa, Israel Katz, classificou como "totalmente infundadas e falsas" as suspeitas de divergências entre o governo e o Exército e afirmou que não há intenção de atacar o Irã antes das eleições.
O principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot, acusou o primeiro-ministro de colocar interesses pessoais acima da segurança do Estado e criticou qualquer tentativa de envolver as Forças Armadas na campanha. Yair Lapid afirmou que Netanyahu "perdeu a cabeça", enquanto Avigdor Lieberman pediu uma investigação por "traição".
Nas redes sociais, Netanyahu publicou a imagem de uma nuvem atômica sobre Tel Aviv e chamou o Irã de ameaça existencial. Ele também afirmou que uma derrota eleitoral poderia abrir caminho para um "segundo Holocausto" e mencionou informações de serviços de inteligência ao falar sobre uma possível interferência iraniana no processo eleitoral.
Um porta-voz do Irã declarou que o resultado das eleições não terá impacto na relação entre os dois países. Segundo ele, pouco importa quem assumirá a liderança de Israel.
Fontes anônimas ouvidas pelo Canal 12 relataram preocupação nas Forças Armadas com o uso da questão iraniana para impulsionar politicamente o primeiro-ministro.
Fonte: O Globo