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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Reeleição de Lula reduz avanço da direita na América do Sul, avaliam analistas

Analistas avaliam que a reeleição de Lula contém o avanço da direita na América do Sul, sem indicar ruptura com os Estados Unidos.

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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil foi interpretada por analistas como uma contenção ao avanço da centro-direita na América do Sul e deve influenciar as relações do país com Estados Unidos, China, Europa, México e África.

Segundo Carlos Frederico de Souza Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, a vitória interrompeu sete triunfos consecutivos da centro-direita na América Latina e impediu um alinhamento automático do Brasil à Casa Branca.

Para o professor, a integração sul-americana tende a se concentrar mais em comércio, energia e infraestrutura, já que Colômbia, Peru, Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Paraguai são governados pela centro-direita.

Leonardo Paz, pesquisador da FGV e professor do Ibmec Rio, afirmou que a manutenção de bons resultados econômicos no novo mandato, como desemprego baixo, aumento da renda e inflação sob controle, pode influenciar as eleições presidenciais argentinas do próximo ano.

O analista de relações internacionais Uriã Fancelli avaliou que o resultado pode ser positivo para o México, ao reduzir o isolamento da presidente Claudia Sheinbaum diante das pressões dos Estados Unidos. Para ele, a China mantém um parceiro favorável a uma ordem internacional multipolar, enquanto a Europa preserva uma alternativa de parceria e países africanos mantêm uma política externa brasileira historicamente mais voltada ao continente.

Fancelli também afirmou que a vitória não representa rejeição às relações com os Estados Unidos, mas sinaliza que o Brasil não pretende aderir automaticamente ao projeto político de Donald Trump. Na avaliação do analista, o país pode manter relações com Washington, Pequim, Bruxelas e outras regiões sem se submeter aos interesses de uma única potência.

A reeleição também enfraquece a expectativa de adesão brasileira ao Escudo das Américas, iniciativa coordenada pelos Estados Unidos para o combate ao narcotráfico. Carlos Frederico disse que o Brasil pode cooperar na área, mas não deve integrar uma estratégia de segurança patrocinada e liderada pelo governo norte-americano.

Apesar das críticas de Trump ao processo eleitoral brasileiro, os analistas não preveem ruptura entre os dois países. Fancelli avaliou que o presidente norte-americano pode recalibrar o discurso e construir uma relação mais pragmática com Lula, ainda que haja tensão inicial.

Fonte: O Globo

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