O climatologista Carlos Nobre defendeu que o Congresso reverta o afrouxamento da legislação ambiental e avance no combate ao desmatamento e à degradação dos biomas. Em entrevista ao GLOBO publicada em 23 de outubro de 2026, o cientista também afirmou esperar avanços na COP31, marcada para novembro, na Turquia.
Segundo Nobre, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga estão próximos de pontos de não retorno. Na avaliação dele, se o desmatamento continuar e o aquecimento global avançar, esses biomas poderão ultrapassar esse limite até 2040.
O cientista afirmou que o Congresso deveria seguir o mapa do caminho apresentado pelo Brasil para zerar o desmatamento e a degradação de todos os biomas até 2030. Ele também defendeu projetos de restauração e regeneração ambiental.
Nobre demonstrou preocupação com o aumento da bancada ruralista e disse que o grupo favorável à expansão do agronegócio passou de 62% para 68% do Congresso, segundo sua avaliação. Para ele, essa composição pode manter a tendência de flexibilização das regras ambientais.
O climatologista relacionou as mudanças climáticas ao aumento de ondas de calor, secas, chuvas extremas, incêndios florestais e outros eventos. Ele afirmou que as ondas de calor são atualmente o evento extremo que mais provoca mortes e atribuiu ao aquecimento global entre 10 mil e 14 mil mortes por ano no Brasil desde 2013.
Sobre a COP31, Nobre disse estar mais otimista com a possibilidade de avanço em dois mapas do caminho: um para zerar o desmatamento e outro para acelerar a redução e eliminar o uso de combustíveis fósseis. De acordo com ele, o aumento das mortes provocadas por ondas de calor pode levar mais países a apoiar as propostas.
O cientista também afirmou que a poluição causada pela queima de combustíveis fósseis e de vegetação provoca impactos na saúde. Na Amazônia, segundo ele, a fumaça de queimadas já reduziu a expectativa de vida em algumas regiões entre 1,5 e 2,5 anos.
Fonte: O GLOBO