O presidente da Colômbia anunciou em 22 de outubro a demissão do ministro do Interior, Rodrigo Lara, em meio ao impasse no Congresso sobre o orçamento de 2027. Alejandro Ordóñez foi escolhido para substituí-lo.
O governo não informou o motivo da troca. O ministro do Interior conduz a agenda do Executivo no Congresso, e a mudança ocorre enquanto Senado e Câmara discutem versões diferentes do orçamento.
Sem acordo entre as duas Casas, o presidente aprovou por decreto um orçamento de aproximadamente US$ 200 bilhões, segundo o conteúdo original. Mais cedo, o vice-presidente José Manuel Restrepo pediu calma a investidores e detentores de títulos públicos.
A aprovação por decreto recebeu críticas de parlamentares de esquerda. A senadora Esmeralda Hernández afirmou que a medida retirou cerca de US$ 950 milhões destinados à saúde, além de recursos para subsídios de eletricidade e gás e programas voltados para idosos.
O governo também prepara um projeto de ajuste fiscal para reduzir o déficit orçamentário em mais de 2% do Produto Interno Bruto. Segundo Daniel Gómez, professor da Universidade de los Andes, o Estado não tem recursos suficientes para executar o orçamento, que projeta déficit fiscal de 9,4% do PIB em 2027.
Ordóñez é conhecido por posições católicas conservadoras e por se opor ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo na Colômbia. Para Sergio Guzman, fundador da Colombia Risk Analysis, a substituição representa um risco para o governo, enquanto investidores acompanham sua capacidade de aprovar a legislação fiscal e os planos de buscar assistência do Fundo Monetário Internacional.
Rodrigo Lara foi o primeiro integrante do gabinete anunciado pelo presidente após a vitória eleitoral, em junho. Ex-deputado, ele era conhecido por ter sido vítima da violência política ligada ao narcotraficante Pablo Escobar: seu pai foi assassinado a tiros em Bogotá, em 1984.
Fonte: O Globo