A Polícia Civil investiga seis mortes de crianças, com idades entre zero e três anos, ocorridas no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Os casos foram comunicados às autoridades em 21 de outubro e envolvem suspeitas de infecções hospitalares, sepse e outras complicações.
Entre os casos está o de Alice Vitória, que morreu em 3 de abril, três dias depois de completar 1 ano. A menina foi internada para uma cirurgia de gastrostomia, mas passou por novas intervenções, infecções e paradas cardíacas antes da morte.
Segundo a mãe, a assistente social Leticia Ferreira, Alice não conseguiu ser extubada após o primeiro procedimento por causa de broncoespasmos. Depois, a sutura da gastrostomia se abriu, houve vazamento de líquido pelo abdômen e a criança precisou retornar ao centro cirúrgico, onde, de acordo com o relato, sofreu uma parada cardíaca.
A menina também tinha uma comunicação interventricular, uma cardiopatia congênita, e passou por cirurgia cardíaca. Durante a internação, desenvolveu feridas na cabeça e uma infecção na região de uma válvula usada no tratamento da hidrocefalia, segundo a mãe.
Leticia afirmou ainda que a filha teria contraído bactérias KPC e Clostridium. A certidão de óbito aponta sepse com foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda como causas da morte.
“Eu entendi que não era normal”, disse a mãe ao relatar a sequência de complicações. Ela afirmou que outras famílias também enfrentam dúvidas sobre os atendimentos e cobrou esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes.
O inquérito é conduzido pelo 8º Distrito Policial, na região da Mooca. De acordo com a Polícia Civil, a investigação inclui depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise dos prontuários médicos.
A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três mães, afirma que pelo menos 19 famílias perderam os filhos em cirurgias realizadas no hospital nos últimos seis meses. Esse número não foi confirmado oficialmente pela polícia no material divulgado.
Em nota, o Hospital Salvalus afirmou que ainda não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados e que permanece à disposição das autoridades. A instituição disse que as avaliações realizadas até o momento indicam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.
Fonte: g1