A morte de Alice Vitória, de 1 ano, após uma sequência de cirurgias e complicações clínicas no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, está entre os seis casos investigados pela Polícia Civil por suspeita de infecções hospitalares e mortes de crianças na unidade.
A menina morreu em 3 de abril, três dias depois de completar 1 ano. Segundo a certidão de óbito, as causas foram sepse com foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda.
A mãe, a assistente social Leticia Ferreira, contou que levou a filha ao hospital para uma cirurgia de gastrostomia. Alice tinha uma síndrome que dificultava a deglutição e usava sonda nasoenteral desde o nascimento; a previsão inicial era de cerca de uma semana de internação.
De acordo com o relato da mãe, a criança não conseguiu ser extubada após o procedimento por causa de broncoespasmos e precisou permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois, a sutura da gastrostomia teria se aberto, provocando vazamento de líquido pelo abdômen e a necessidade de uma nova cirurgia.
Leticia afirma que Alice sofreu uma parada cardíaca durante o segundo procedimento. A menina também tinha uma comunicação interventricular, uma cardiopatia congênita, e passou por uma cirurgia de bandagem pulmonar, segundo a mãe.
Após apresentar melhora, Alice desenvolveu feridas na parte posterior da cabeça, incluindo uma lesão na região de uma válvula usada no tratamento de hidrocefalia. A abertura do local teria causado uma infecção e exigido nova cirurgia para a instalação de uma derivação ventricular externa, além de tratamento prolongado com antibióticos.
A mãe relatou ainda que a filha teria contraído bactérias como KPC e Clostridium durante a internação. Alice sofreu duas paradas cardíacas na véspera da morte e outra no dia seguinte, quando a família decidiu não autorizar novas manobras de reanimação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, seis casos envolvendo crianças de até 3 anos são investigados pelo 8º Distrito Policial, na Mooca. A Polícia Civil informou que pretende ouvir profissionais de saúde e testemunhas e analisar integralmente os prontuários para esclarecer as causas das mortes.
A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três mães, afirma que pelo menos 19 famílias perderam filhos após cirurgias realizadas no hospital nos últimos seis meses. O número é uma alegação da representante e não foi confirmado oficialmente no material divulgado.
Em nota, o Hospital Salvalus afirmou que ainda não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados e que permanece à disposição das autoridades. A instituição disse que as avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados, e ressaltou que mantém avaliações contínuas de segurança assistencial.
Fonte: g1