A Polícia Civil investiga seis mortes de crianças ocorridas no Hospital Salvalus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Entre os casos está o de Alice Vitória, que morreu em abril, aos 1 ano, após passar por uma série de cirurgias e apresentar infecções durante a internação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, as crianças tinham entre zero e três anos e teriam contraído infecções hospitalares antes de morrer por sepse ou outras complicações. O inquérito tramita no 8º Distrito Policial, na região da Mooca.
A investigação deve reunir depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise dos prontuários médicos. A polícia informou que busca esclarecer as causas das mortes e verificar se há relação entre os casos.
Assistente social, Leticia Ferreira levou Alice ao hospital para uma cirurgia de gastrostomia, procedimento destinado à alimentação direta pelo estômago. A menina tinha uma síndrome que dificultava a deglutição, além de cardiopatia congênita e hidrocefalia.
De acordo com o relato da mãe, a criança permaneceu internada após apresentar broncoespasmos, passou por novas cirurgias e sofreu paradas cardíacas. Leticia também afirmou que a filha teve uma infecção na região de uma válvula, recebeu tratamento com antibióticos e contraiu as bactérias KPC e Clostridium.
A certidão de óbito aponta sepse com foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda como causas da morte. Segundo a mãe, Alice sofreu duas paradas cardíacas na véspera e outra no dia em que morreu, 3 de abril.
A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três mães, afirmou que há pelo menos 19 famílias que perderam os filhos em cirurgias realizadas no hospital nos seis meses anteriores. O número é uma alegação da representante e ainda é objeto de apuração.
Em nota, o Hospital Salvalus afirmou que não recebeu notificação formal sobre os procedimentos mencionados e que permanece à disposição das autoridades. A instituição disse que as avaliações realizadas até o momento apontam históricos clínicos distintos, sem identificação de uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.
O hospital também declarou que atende crianças com condições graves e mantém avaliações contínuas de segurança assistencial. A unidade afirmou que as alegações não podem ser generalizadas sem comprovação técnica e que preservará o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.
Fonte: g1