A Justiça da Argentina arquivou nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, o processo contra o presidente Javier Milei, sua irmã, Karina Milei, e outras oito pessoas por suposta fraude relacionada ao lançamento da criptomoeda $LIBRA.
Em decisão de 60 páginas, o juiz Martínez de Giorgi acompanhou o pedido do promotor Eduardo Taiano e concluiu que os fatos denunciados não configuravam fraude, abuso de autoridade ou negociações incompatíveis com o cargo público de Milei.
Segundo o magistrado, a divulgação da criptomoeda pelo presidente teve impacto e visibilidade particulares, mas não caracterizou um esquema fraudulento. Ele também afirmou que a simples ligação de um funcionário público com uma iniciativa privada não basta para comprovar uma conduta criminosa.
Milei publicou, em fevereiro de 2025, uma mensagem na rede social X promovendo a memecoin, que passou de US$ 0,25 para US$ 5,20 em poucos minutos e alcançou capitalização de US$ 4,5 bilhões. Em seguida, a cotação caiu depois que algumas carteiras venderam os ativos, prejudicando, segundo as investigações, cerca de 40 mil pessoas.
O presidente apagou a publicação e disse que não conhecia os detalhes do projeto. Após o arquivamento, Milei afirmou que a decisão expôs uma operação política e midiática contra seu mandato e criticou a imprensa.
Representantes dos investidores afetados consideraram a decisão prematura. Pedro Biscay, diretor-executivo do Centro de Pesquisa e Prevenção de Crimes Econômicos (CIPCE), afirmou que o caso deveria ser analisado em julgamento público para apurar o papel do presidente na divulgação da criptomoeda.
Fonte: O Globo