Forças de segurança dispersaram com gás lacrimogêneo, neste sábado (24), manifestações não autorizadas em cidades da França, durante uma nova onda de protestos que reúne coletes amarelos, estudantes e sindicatos.
O governo mobilizou 70 mil agentes, unidades de elite, soldados da missão Sentinelle, veículos blindados da Gendarmaria, helicópteros e drones. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que as autoridades seriam "intransigentes" diante dos atos.
Em Lyon, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 150 pessoas que tentavam bloquear o trânsito em uma área com aglomerações proibidas, segundo a AFP.
Marchas contra o aumento do custo de vida e em apoio a estudantes foram autorizadas em Paris, Marselha e Lyon. Na capital, a polícia alterou o trajeto da manifestação pouco antes do início.
Na semana anterior, entre 550 mil e 800 mil pessoas participaram de protestos no país. O movimento dos coletes amarelos anunciou cerca de 500 manifestações e ações em diferentes pontos da França.
As autoridades atribuíram os distúrbios recentes a pequenos grupos de extrema esquerda e a criminosos que teriam aproveitado os atos para saquear lojas. Desde segunda-feira, bairros de grandes cidades têm adotado toques de recolher noturnos, e manifestações foram proibidas, com exceções para atos solicitados por sindicatos e outros grupos considerados legítimos pelo governo.
Em Paris, veículos blindados protegeram o Palácio do Eliseu e a Assembleia Nacional. Comerciantes instalaram tábuas nas vitrines, e os museus do Louvre, Orsay e Picasso, além da Ópera de Paris, fecharam excepcionalmente.
Também houve manifestações em Orléans contra o partido de extrema-direita Reunião Nacional, que realiza seu congresso político neste fim de semana. O Conselho da Europa pediu que os países envolvidos respeitem o direito de manifestação e priorizem a redução da tensão nas operações policiais.
Na sexta-feira, um homem de 39 anos foi detido após um ataque perto de Paris que deixou uma pessoa morta e cinco feridas. O presidente Emmanuel Macron classificou o episódio como um atentado terrorista racista.
Fonte: O Globo