Rússia e Ucrânia confirmaram nesta sexta-feira (23) um cessar-fogo humanitário em Oleshky, na região de Kherson, no leste ucraniano. Segundo a Casa Branca, a pausa permitirá a entrada de ajuda e a evacuação de civis, em uma iniciativa atribuída à primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
O governo americano informou que o cessar-fogo começará em 29 de outubro, mas o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, disse que a suspensão das operações será implementada a partir do dia 27. A duração da trégua ainda está em negociação, de acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
A Casa Branca afirmou que Melania Trump e um representante dela negociaram diretamente com as lideranças russa e ucraniana os termos do acordo. O objetivo inicial é avaliar as condições dos cerca de 2 mil moradores que permanecem na cidade e definir os próximos passos da operação humanitária.
Oleshky fica na margem oriental do rio Dniéper e foi ocupada por forças russas nos primeiros dias da invasão, em fevereiro de 2022. Antes da guerra, a cidade tinha cerca de 24 mil habitantes. Segundo o comunicado americano, os civis enfrentam falta de água, gás, alimentos e atendimento médico.
Melania Trump afirmou que a população remanescente é formada majoritariamente por idosos que precisam de atendimento médico, medicamentos, alimentos e água potável. O comissário de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinets, disse que o acordo permitirá a entrega de ajuda e a saída de civis que desejarem deixar a cidade.
Lubinets também avaliou que a operação será gradual e difícil de executar. Em Kiev, há ceticismo em relação ao acordo, após um anúncio anterior de Donald Trump sobre um suposto compromisso russo e ucraniano de não atacar instalações de energia que, segundo a matéria, não chegou a ser implementado.
O anúncio ocorreu após reuniões do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, com o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Segundo o texto, os dois lados deram sinais de que podem retomar negociações técnicas no mês que vem, mas continuam divergindo sobre o período posterior à guerra.
Na semana anterior, o papa Leão XIV havia conversado por telefone com Putin para manifestar preocupação com a situação humanitária em Oleshky e pedir um cessar-fogo, de acordo com o Vaticano. Na terça-feira, o Kremlin reconheceu a gravidade da situação e afirmou que o tema havia sido discutido por Putin e Trump.
A Casa Branca informou ainda que jornalistas de uma organização de mídia americana considerada imparcial acompanharão e documentarão a atuação das equipes russas e ucranianas durante a operação. O governo não revelou qual será a organização responsável pela cobertura.
Fonte: O Globo