Um acampamento instalado na Puerta del Sol, no centro de Madri, completa um mês de ocupação nesta sexta-feira (23) em defesa do direito à moradia na Espanha. A estrutura reúne barracas, refeitório, biblioteca, enfermaria e espaços para assembleias.
A mobilização se tornou um dos símbolos da crise habitacional no país, tema central das eleições gerais antecipadas marcadas para 29 de novembro. O movimento começou após protestos contra o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que morreu pouco depois de deixar o apartamento onde havia vivido por sete décadas.
O altar com velas e flores em homenagem a Maricarmen ocupa uma área do acampamento, protegido por lonas verdes e azuis. As passagens entre as barracas receberam nomes como “A Raiva” e “Abaixo os Muros”, e o espaço também abriga assembleias sobre a situação em Gaza.
Voluntários da área da saúde mantêm uma enfermaria no local, com enfermeiros, médicos, psicólogos e assistentes sociais. Segundo o técnico de saúde Orlando Santander, os atendimentos incluem primeiros socorros a manifestantes feridos em confrontos com a polícia.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez descartou retirar os manifestantes. A ocupação, porém, é criticada pelo prefeito de Madri, José Luis Martínez-Almeida, e pela presidente da região, Isabel Díaz Ayuso, que tentou obter judicialmente a desocupação da praça sem sucesso.
Ayuso também determinou o fechamento temporário da estação de metrô localizada sob o acampamento, alegando falta de higiene. Grupos de extrema direita tentaram chegar ao local, mas foram impedidos pela polícia.
A ocupação divide os comerciantes da região. O proprietário de uma loja de artigos de couro afirma ter perdido um terço do faturamento, enquanto uma livraria feminista próxima oferece aos manifestantes acesso a banheiro, carregadores de celular, espaço para guardar pertences e descanso.
Os ocupantes afirmam que continuarão na praça até serem retirados à força ou até que ocorram mudanças concretas nas políticas habitacionais. O aluguel médio de um imóvel de 50 metros quadrados em Madri é estimado em cerca de 1.170 euros por mês, quase metade do salário bruto médio, segundo o conteúdo original.
Fonte: O Globo