Um homem estrangeiro morreu após ser espancado por um grupo de aproximadamente 50 pessoas em Durban, na África do Sul, em outubro. A polícia abriu uma investigação por assassinato, mas ainda não confirmou a motivação do ataque nem uma relação com os protestos contra a imigração.
Segundo a BBC, a vítima aparentava ter entre 30 e 40 anos e foi abordada inicialmente por dois homens à margem de uma estrada. A identidade do morto e dos responsáveis ainda não foi divulgada.
O porta-voz da polícia provincial, Robert Netshiunda, afirmou que não era possível especular sobre o motivo do assassinato. Ele disse que novas informações serão divulgadas após a verificação dos fatos.
O caso ocorreu em meio a manifestações contra a presença de estrangeiros na África do Sul. No início de outubro, lojas e veículos foram incendiados em Durban e em Soweto, localidade próxima a Joanesburgo.
O movimento March and March cobra mudanças na política migratória e acusa estrangeiros de ocupar vagas de trabalho, contribuir para a criminalidade e sobrecarregar serviços públicos. Pesquisadores afirmam que essas alegações generalizadas não são sustentadas por evidências.
O governo sul-africano pediu que os protestos ocorressem pacificamente e reconheceu a necessidade de reformas na política migratória. Até o momento, as autoridades não estabeleceram relação direta entre as manifestações e o assassinato em Durban.
Os episódios de violência contra estrangeiros provocaram reações de outros países africanos. Nigéria e Gana relataram mortes de cidadãos seus na África do Sul durante o período de manifestações, e o caso do ganês Bashiru Isak, morto a tiros na Cidade do Cabo, provocou uma crise diplomática entre Gana e África do Sul.
A África do Sul registra episódios de violência xenófoba há quase duas décadas. Em 2008, ataques contra estrangeiros deixaram mais de 60 mortos e provocaram o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas.
Fonte: O Globo