Um grupo de cerca de 380 empresários, economistas, executivos e representantes da sociedade civil apresentou, em 22 de outubro de 2026, uma carta aos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com metas para reduzir a taxa Selic a 7,5% ao ano e a inflação a 3% até dezembro de 2027.
Coordenado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca, o Grupo Parlatório propõe um ajuste fiscal com superávit primário mínimo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e redução da Dívida Bruta para menos de 70% do PIB até 2030. Segundo o documento, a dívida está em 82,9% do PIB.
A carta estima que o custo médio da dívida pública, de R$ 10,9 trilhões, é de 12,68% ao ano, gerando uma despesa anual de aproximadamente R$ 1,4 trilhão em juros. O grupo afirma que juros menores e estabilidade fiscal poderiam ampliar o crédito, elevar o crescimento médio da economia a pelo menos 3% ao ano e levar a taxa de investimento a mais de 20% do PIB entre 2027 e 2030.
O documento trata a redução da Selic como prioridade e afirma que o alívio monetário deve ser conduzido tecnicamente pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. Entre as propostas estão a atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, a revisão da indexação de despesas obrigatórias e a aceleração da reforma tributária.
Na área econômica, o grupo também defende uma Agenda Nacional de Produtividade, o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes e da Embrapa, a ampliação de concessões e parcerias público-privadas e avanços em saneamento básico. A carta propõe ainda a criação de um mercado regulado de carbono e a restauração de 15 milhões de hectares de florestas, com meta de neutralizar as emissões da agropecuária até 2042.
O texto reúne propostas sobre democracia, reforma política, segurança pública, educação, saúde, programas sociais, cultura e política externa. Entre os participantes citados estão Isaac Sidney, presidente da Febraban; Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras; Roberto Klabin; Ilona Szabó; e Viviane Senna.
Fonte: O Globo