O advogado Paulo Roberto Quissi é investigado sob suspeita de usar indevidamente o nome do promotor de Justiça Werner Dias de Magalhães para cobrar R$ 300 mil de um assessor parlamentar investigado por improbidade administrativa em São Paulo.
Segundo a investigação, Quissi teria informado ao assessor Matheus Borges que havia um mandado de prisão contra ele por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O advogado teria dito que o pagamento evitaria a prisão e permitiria um acordo ou o arquivamento do caso; inicialmente, o valor pedido seria de R$ 600 mil.
O episódio teria ocorrido após Quissi levar Matheus a um local onde o promotor trabalhava, em 18 de maio. O assessor permaneceu na sala de espera enquanto o advogado conversava com Werner, que afirmou não ter marcado depoimento nem autorizado qualquer negociação em nome do Ministério Público.
Matheus registrou áudios relacionados às conversas e procurou o Ministério Público depois de desconfiar da situação. De acordo com o depoimento atribuído a ele, o advogado também o teria pressionado a assinar um contrato e a não comentar o caso com outras pessoas.
Após o promotor comunicar o uso indevido de seu nome, a ocorrência foi encaminhada à polícia e um inquérito foi instaurado no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A Justiça decretou a prisão do advogado e autorizou buscas no escritório, mas ele não foi localizado inicialmente e se apresentou à delegacia durante o período eleitoral.
Quissi está em liberdade, e a polícia fez um novo pedido de prisão. Para o delegado Fulvio Mecca, a permanência do investigado solto poderia permitir interferência na apuração, inclusive sobre testemunhas e provas.
Em nota, a defesa do advogado negou as acusações, afirmou que colabora com a Justiça e disse confiar que a perícia e a instrução processual esclarecerão os fatos. O promotor classificou como grave o uso de seu nome e de uma suposta notificação para cobrar dinheiro da vítima.
Fonte: G1