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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

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Cerco a Taiz esgota alimentos, água e combustível no Iêmen

Cerco houthi deixa Taiz, no Iêmen, com estoques de alimentos, água e combustível próximos do fim e ameaça hospitais da cidade.

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A cidade de Taiz, no sudoeste do Iêmen, enfrenta a terceira semana de cerco imposto pela milícia houthi, com estoques de alimentos, água potável e combustível próximos do fim, segundo moradores e autoridades ouvidos por telefone.

Hospitais da cidade também relatam falta de combustível para geradores e de medicamentos. O médico Ilan Abdul Haq, vice-governador de Taiz para assuntos de saúde e meio ambiente, afirmou que as unidades estão à beira de fechar.

Moradores dizem que encontrar vegetais se tornou quase impossível. Sem gás de cozinha, famílias passaram a usar lenha, carvão e caixas de papelão para preparar as refeições.

Alhan Al-Shaibani, moradora de Taiz, afirmou que sua família passou a ferver a água salgada da torneira para consumi-la. Segundo ela, sua mãe e sua avó, ambas diabéticas, não conseguem encontrar os medicamentos de que precisam nas farmácias.

O bloqueio se agravou no início de outubro, quando os houthis assumiram o controle da última estrada que ligava Taiz ao sul do país, de acordo com Shayef al-Jabri, consultor de uma organização local de defesa e apoio. Caminhões que transportam água potável ficaram retidos em áreas de combate, e o lixo passou a se acumular nas ruas.

Os houthis atribuem a piora da situação às forças aliadas ao governo internacionalmente reconhecido, que, segundo a milícia, bloqueiam as estradas de acesso. Ahmad Ameen, governador das áreas da província controladas pelos houthis, disse que o grupo está disposto a abrir estradas seguras e tenta coordenar a entrega de alimentos.

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na terça-feira (20) que os houthis permitam a entrada de ajuda humanitária. Ele afirmou que o fechamento de uma rota entre Taiz e o sul do Iêmen coloca os civis em grave risco.

Os combates continuam nos arredores da cidade, acompanhados de bombardeios, segundo o coronel Abdul Basit al-Baher, oficial das forças do governo iemenita. Algumas famílias tentam deixar Taiz, mas moradores e autoridades afirmam que as rotas de saída são perigosas.

Mohammed al-Faqih, diretor de qualidade e controle de infecções do hospital Al-Thawra, disse que os estoques de combustível para os geradores e de medicamentos para doenças potencialmente fatais estão quase esgotados. Ele alertou para o risco de uma crise sanitária caso o cerco não seja suspenso.

Taiz é uma cidade densamente povoada e considerada um centro cultural e intelectual do Iêmen. Os houthis começaram a cercá-la após tomarem a capital, Sana, em 2014; uma trégua firmada em 2022 reduziu os combates, mas a violência voltou a se intensificar neste ano.

Fonte: O Globo

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