O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (20) que o presidente Donald Trump está "frustrado" com as críticas do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante viagem à Índia. Zelensky acusa Washington de pressionar Kiev a se render à Rússia e de prejudicar deliberadamente os esforços de guerra.
Rubio negou que Trump tenha ordenado a suspensão do compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia. Segundo o secretário, o presidente americano não gosta de ser responsabilizado por acusações que considera falsas.
As declarações ocorrem em meio a uma escalada nas divergências entre Washington e Kiev. Zelensky afirmou que a redução na velocidade de sistemas de satélites militares prejudicou unidades ucranianas na linha de frente e disse que equipamentos deixaram de funcionar em alguns setores.
O secretário de Estado também rejeitou a acusação de que os Estados Unidos estejam adotando medidas direcionadas contra a Ucrânia. Rubio disse que as decisões envolvem o equilíbrio entre as obrigações americanas com outros parceiros e as necessidades relacionadas às instalações dos próprios Estados Unidos.
Em entrevista no domingo, Zelensky afirmou que Trump tenta forçar uma capitulação da Ucrânia diante de Moscou. O presidente americano respondeu que é mais fácil negociar com Vladimir Putin do que com o líder ucraniano e disse, em uma publicação na Truth Social, que Zelensky não demonstraria interesse em encerrar a guerra.
As disputas políticas ocorrem enquanto os combates continuam. Ao menos três pessoas morreram nesta terça-feira em um bombardeio russo contra Kramatorsk, no leste da Ucrânia, segundo os militares ucranianos, que também relataram dois feridos.
O enviado especial americano Steve Witkoff chegou a Oslo nesta terça-feira para conversas com Zelensky e os líderes da Noruega e da Finlândia. Outros países europeus devem participar remotamente, assim como Jared Kushner, genro de Trump.
Antes da reunião, Zelensky acusou o governo americano de atrasar intencionalmente a entrega de mísseis interceptadores já pagos pela Ucrânia. De acordo com o presidente, os equipamentos aguardam a assinatura do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth.
Após o encontro em Oslo, Witkoff poderá viajar a Moscou para conversar com Putin, segundo informações da imprensa americana. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que espera que uma reunião seja agendada em breve para que o enviado informe o presidente russo sobre os contatos com ucranianos e europeus.
Trump também disse na segunda-feira que aceitaria uma proposta de Putin para uma reunião com o líder russo e o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra na Ucrânia. A possibilidade é que o encontro ocorra durante a cúpula da Apec, prevista para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, na China.
Fonte: O Globo