O Ministério da Agricultura e Pecuária decretou, nesta segunda-feira (19), estado de emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios do Oeste de Santa Catarina após confirmar um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba.
A medida abrange também Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. Pelo protocolo sanitário firmado com a China, o Brasil suspende as exportações de carne de aves para o país asiático, principal destino do frango brasileiro.
A portaria foi publicada no Diário Oficial da União. O foco foi confirmado no domingo pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência da Organização Mundial de Saúde Animal para o diagnóstico da doença.
O caso foi identificado em uma ação de vigilância ativa do Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, executado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc). Nenhuma das cerca de 6 mil aves apresentou sinais clínicos.
As amostras foram coletadas em 21 de setembro. Um resultado preliminar, divulgado em 14 de outubro, indicou possibilidade de infecção, e a confirmação ocorreu no dia 18.
Segundo o ministério, o vírus circula no país entre aves silvestres. A granja foi interditada, a movimentação de aves foi suspensa e os perus serão sacrificados. As instalações passarão por limpeza e desinfecção.
A zona de restrição tem cerca de 10 quilômetros e inclui os quatro municípios citados na portaria. Ao todo, 133 granjas estão sob monitoramento.
As ações da MBRF, dona da Sadia e maior exportadora de frango do país, fecharam em queda de 4,43% nesta segunda-feira, a R$ 18,14. Os papéis da JBS, dona da Seara, também recuaram.
O caso anterior em criação comercial ocorreu em julho de 2024, em uma granja de frangos de corte em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o governo suspendeu preventivamente a certificação de exportação para 44 países.
A doença de Newcastle é causada por um vírus que afeta aves domésticas e silvestres e pode provocar alta mortalidade nos plantéis. O Ministério da Agricultura afirma que o consumo de produtos avícolas com inspeção oficial continua seguro.
Fonte: O Globo