O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta terça-feira, 20 de outubro, a prorrogação dos toques de recolher em cidades onde as autoridades considerarem necessário e prometeu uma mobilização policial maciça para os protestos previstos para sábado, 24 de outubro.
Segundo Lecornu, as restrições ajudaram a reduzir a violência na noite de segunda-feira. As medidas foram adotadas em áreas de Paris, Marselha e Lyon, além de cidades como Nice, Lille, Denain e Douai, em alguns casos com foco em menores de idade.
Em Nice, o toque de recolher permanecerá em vigor até domingo. Em Marselha, o prefeito Benoît Payan confirmou a extensão da medida para menores em determinadas áreas do centro até a noite desta terça-feira.
Os protestos começaram no fim de semana contra o aumento do custo de vida e o financiamento da educação. De acordo com as autoridades, mais de 3 mil estabelecimentos foram saqueados e cerca de 2,5 mil pessoas foram detidas após atos de depredação e ataques a prédios públicos.
Lecornu reconheceu que a resposta das forças de segurança foi insuficiente durante os distúrbios de 17 de outubro. Na Assembleia Nacional, ele voltou a acusar grupos de ultraesquerda de terem planejado uma insurreição, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.
Enquanto o governo prepara a segurança para a nova manifestação, os tribunais franceses começaram a analisar os casos relacionados às prisões. Em Paris e Marselha, foram organizados julgamentos adicionais por procedimentos acelerados, usados em processos considerados mais simples.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que mais de 700 pessoas devem ser julgadas nos próximos dias. Segundo ele, 123 detidos estavam presos preventivamente ou por força de mandados, e alguns já haviam recebido condenações.
Na cidade de Limoges, um homem de 34 anos identificado pela polícia como integrante da ultraesquerda foi preso durante a investigação sobre o incêndio que destruiu a sede da prefeitura. O Ministério Público abriu uma investigação por destruição de patrimônio cometida por grupo organizado.
As autoridades também pediram a colaboração de plataformas de revenda para identificar anúncios de produtos possivelmente roubados. As empresas concordaram em monitorar preços muito baixos, lotes de mercadorias e itens ainda com etiquetas de segurança.
Fonte: O Globo