A província canadense de Alberta rejeitou nesta terça-feira (20) a proposta de iniciar um processo para realizar um referendo vinculativo sobre a independência, segundo projeções da imprensa local. Dados oficiais, com cerca de um terço dos votos apurados, indicavam mais de 76% de apoio à permanência da província no Canadá.
O resultado representa uma derrota para o movimento separatista, que recebeu apoio de aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A votação ocorreu em meio à guerra comercial entre Washington e Ottawa e a ameaças de anexação feitas por Trump.
A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, de orientação conservadora, declarou ter votado contra a independência. Ela afirmou que convocou a consulta para encerrar uma questão que divide a província e disse que, caso os federalistas vencessem, o debate sobre a secessão deveria ser considerado encerrado.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, que cresceu em Alberta, classificou a votação como um sinal "perigoso" e afirmou que ela ocorre em um momento de necessidade de estabilidade nacional. Segundo ele, as ameaças de Trump buscam enfraquecer a determinação do Canadá.
Pesquisas indicavam que menos de um quarto dos moradores de Alberta defendia a independência. A autoridade eleitoral informou que 1,4 milhão dos 3,1 milhões de eleitores aptos participaram da votação antecipada.
O grupo Forever Canadian, que fez campanha pela unidade nacional, comemorou o resultado. "Foi incrível ver o entusiasmo e a determinação dos canadenses", afirmou seu líder, Thomas Lukaszuk.
O movimento separatista ganhou força principalmente entre críticos da forma como o governo federal administra o setor de energia. Alberta tem grandes reservas de petróleo, e parte dos moradores acusa o ex-primeiro-ministro Justin Trudeau de tentar limitar a produção para cumprir sua agenda climática.
Elon Musk, um dos principais apoiadores de Trump, publicou neste mês na rede social X que Alberta "deveria se separar". Líderes separatistas também se reuniram no Departamento de Estado dos Estados Unidos e conversaram com estrategistas republicanos, segundo a reportagem.
A cédula tinha dez perguntas, várias relacionadas à imigração. A principal questionava se Alberta deveria continuar como província canadense ou iniciar o processo para um referendo vinculativo sobre a separação.
Fonte: O Globo