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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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ELEIÇÕES

Debate entre Lula e Flávio prioriza ataques e deixa propostas em segundo plano

Primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por ataques, com pouco detalhamento de propostas para economia e segurança.

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques no primeiro debate direto da campanha presidencial, realizado pela Band, em 19 de outubro de 2026, enquanto apresentaram poucas propostas detalhadas.

Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral oferecem apenas uma visão geral dos planos dos candidatos. No debate, temas como economia, endividamento das famílias e segurança pública também foram tratados sem aprofundamento.

Lula tem defendido a continuidade de políticas públicas e o legado de seu governo. Flávio aposta no discurso de mudança e explora a insatisfação com a atual administração.

Na economia, a campanha de Flávio afirma que pretende promover um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de eventual governo, cerca de R$ 200 bilhões. A equipe estuda rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço de contenção de despesas, mas não detalhou como financiaria o ajuste.

A campanha de Lula acusa Flávio de planejar cortes em programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular dentro do chamado “tesouraço”. O senador nega a acusação e promete reajustes acima da inflação para as aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Lula, por sua vez, elevou o Bolsa Família para R$ 691 no primeiro turno, zerou os impostos federais sobre a gasolina no segundo e prometeu enviar uma proposta de emenda à Constituição para garantir transporte público gratuito aos fins de semana. O custo estimado da medida é de R$ 12 bilhões, e a campanha afirma que os recursos viriam de emendas parlamentares.

As duas campanhas também defendem medidas de ajuste fiscal, mas não apresentaram metas detalhadas nem um plano completo para fechar as contas a partir de 2027. A economista Juliana Inhasz, do Insper, afirmou que os candidatos precisam indicar a origem dos recursos e os cortes previstos.

Para reduzir o endividamento das famílias, Lula aposta no Desenrola 3.0, lançado em setembro, com previsão de até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de débitos e alcance estimado de 15 milhões de pessoas. Flávio citou o programa SOS Brasil, que prevê um fundo abastecido por royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos, mas não explicou como a proposta funcionaria.

Na segurança pública, Flávio defende a redução da maioridade penal, o aumento do sistema prisional, a construção de cinco presídios federais e a criação de 500 mil vagas nos estados em quatro anos. A campanha não apresentou estimativa de custos para as medidas.

Lula prometeu criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma proposta de emenda constitucional sobre o tema, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal contra o crime organizado. O presidente também passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

O próximo debate entre os candidatos está previsto para 23 de outubro de 2026, na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, da consultoria Dominium, a polarização levou as propostas para o segundo plano da campanha.

Fonte: O GLOBO

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